Luis Pimentel: O Rio de A a Z - 15

Dizem que quem faz um bar é a frequência.Acho que não. São os garçons, claro

Por O Dia

Rio - Prosseguindo com a série de verbetes afetivos sobre o Rio de Janeiro, hoje com as letras T e V: Theatro Municipal — Lindo, chique e construído de frente para uma das praças mais movimentadas da cidade, a Cinelândia, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro é uma obra para encher os olhos e casa de espetáculos para ninar o espírito. Foi inaugurado em 1909, como parte do conjunto arquitetônico que pretendeu modificar toda a estrutura urbana da cidade, se impôs na paisagem e na vida cultural do carioca. Vale a pena uma visita. 

Luis Pimentel%3A O Rio de A a Z - 15Divulgação


Tom Jobim — O carioquíssimo Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, uma das mais perfeitas traduções de Ipanema, do Brasil e da música brasileira, o amigo do peito da fauna e da flora do Jardim Botânico, foi um dos gigantes de nossa música, compositor-chamego de Frank Sinatra, melodista a quem grandes nomes do cancioneiro universal se renderam. Tom subiu com o piano para a eternidade em 1994, deixando por aqui inúmeras canções de sucesso e uma grife de respeitabilidade poucas vezes alcançada por um artista. Tornou-se conhecido internacionalmente quando sua ‘Garota de Ipanema’ (parceria com Vinicius de Moraes) ganhou o mundo. Mas foi desde sempre merecedor do enorme carinho de todos nós, um patrimônio das praias, da boemia, do asfalto, dos morros, das melodias e das poesias todas.
Vieira, o garçom — Por muitos anos, até pendurar as chuteiras, ele foi o garçom mais charmoso, elegante, gentil e profissional do Rio. Trabalhou a vida inteira no restaurante mais charmoso, elegante, gentil e profissional da cidade, o Café Lamas.

Já disseram (foi o Aldir) que o lar é o segundo bar. Existem bares e bares (com os lares acontece a mesma coisa), e o Lamas estará sempre entre aqueles poucos a que a gente tem vontade de retornar. Dizem que quem faz um bar é a frequência. Acho que não. São os garçons, claro. O querido “Lamúrias”, onde vivi tanta coisa boa, ao lado de tantos bons amigos, sempre teve um escrete da melhor qualidade. Linha de frente arrasadora, que já contou com Paulinho, Lial, Maia, Gonçalo e... Vieira (os times antigos jogavam assim, com cinco no ataque) — o que se pode chamar de um garçom amigo, daqueles que o afeto conta bem mais do que os dez por cento.

— Vieira, a saideira! — cansei de bradar.
E ele, ostentando entre o braço e o guardanapo a mais fina ironia:
— Saideira?! Me engana que eu gosto.
O bom e velho Lamas continua sendo um ótimo bar e restaurante. Mas sem o Vieira, certamente, é outro Lamas. Não mais e nunca mais aquele.

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