'Para relação dar certo tem que ter amor, tesão e admiração', diz Ângela Vieira

Atriz está no ar como a advogada Clarice em 'I Love Paraisópolis' e em cartaz com o espetáculo 'Santa'

Por O Dia

Ângela Vieira%3A 'Tem que rolar tesão para dar certo. Construo minha relação em cima de um tripé%3A amor%2C tesão e admiração'Divulgação

Rio - ‘Essa mulher não envelhece, impressionante!” Tal frase pode ser ouvida com frequência quando Ângela Vieira entra em cena, inspirando suspiros nos homens e certa admiração nas mulheres. Mas, na pele da advogada Clarice, de ‘I Love Paraisópolis’, Ângela sente o peso de sua personagem ser uma mulher mais madura.

“É uma personagem que vive uma fase complicada. É a história de uma mulher mais velha, que era casada com um homem mais jovem e essa relação foi esfriando. Aí, vem uma mulher mais nova e ele se interessa. A Clarice fica uma pessoa ferida, mais dura do que já é e não vai facilitar as coisas”, revela Ângela.

A ideia de mulheres mais velhas serem trocadas por outras mais jovens não incomoda a atriz, de 63 anos. Ela está em seu terceiro casamento, numa união de 13 anos com o cartunista Miguel Paiva. “Isso de arrumar garotinhas é uma prerrogativa do homem brasileiro. O europeu e os americanos não têm problema com a idade. No Brasil, existe um culto ao corpo arraigado, a busca pela juventude, que não sei explicar”, avalia. “Engraçado que, nas novelas, tenho um caminho para homens mais jovens. Não sei por que os autores fazem isso. Teve uma novela que acabei junto com Miguel Thiré, que vi ainda na barriga da minha amiga. Aí eu falei: ‘Oh, não vai rolar beijo na boca, hein’. Me senti num incesto”, relembra, aos risos.

A atriz assegura que se sente ótima de corpo e entra na briga para defender o envelhecimento natural, sem muitas intervenções estéticas. “Toda essa loucura faz as mulheres mais velhas procurarem muitos tratamentos. Elas perdem o critério e fazem barbaridades com o rosto. Melhor uma ruga no lugar certo do que um botox no lugar errado”, diz, de forma bem-humorada. “Engraçado é que a maioria dos homens deixa a barriga crescer e fica tudo bem. Ninguém reclama”, critica.

Ângela se diverte ao ouvir que é muito elogiada pelo público, e conta que o segredo está na sua alimentação e na genética: “É um conjunto de coisas. Não como só alface, como todos pensam. Como alimentos saudáveis, que dão energia e não dão gordura. A verdade é que ninguém gosta de envelhecer, mas não tem outro caminho.”

No teatro, o dilema da veterana é outro. Em cartaz com a peça ‘Santa’, que fica até outubro no Teatro Tom Jobim, a atriz dá vida a uma mulher que tenta se reinventar depois da perda de um grande amor, vivido por Guilherme Leme no palco. “Já desfiz parcerias, sempre é muito triste. Mas não fiquei nesse sofrimento de separa e volta. Por muito tempo, fiquei solteira, não via ninguém interessante. E eu pensava: ‘Será que eu tenho que ser mais generosa e menos exigente?’”, confidencia. Até que, aos 50 anos, ela se apaixonou de novo: “Fiquei 5 anos sem namorado, mas, de repente, bateu com o Miguel. Não quero mais sentir a dor da perda. Ele veio para causar, para ser o homem do resto da minha vida.”

E a vida de Ângela não tem uma cartilha, como ela costuma repetir. Não existe o certo e errado quando se trata da felicidade. “A vida vai mudando, as pessoas vão amadurecendo. Tudo muda. Mas existe uma cobrança da sociedade. Nunca vi frase mais cafona do que: ‘Mulher não fica completa sem ter filhos’. Quem garante isso?”, questiona ela, que é mãe de Nina, 30 anos, fruto de seu casamento com Roberto Frota.

Ângela com Guilherme Leme na peça ‘Santa’Divulgação

Da vida a dois, Ângela ressalta as boas gargalhadas e o tesão. “Tem que rolar tesão para dar certo. Construo minha relação em cima de um tripé: amor, tesão e admiração. Se não tiver um dos três, fica manco. E aí não dá, né?”, diverte-se.

A dança foi outra paixão que voltou a ganhar espaço no coração da atriz após um longo tempo longe de sua vida. É que Ângela mistura atuação e dança em seu espetáculo: “Foram 30 anos sem dançar. A dor ficou em segundo lugar. O corpo tem memória, mas a cabeça precisa estar melhor. Descobri que nunca deveria ter parado. A cabeça sabe como executar, mas o corpo não obedece. E aí que entra o exercício de humildade e superação.”

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