Rio - O clima comunitário das rodas de samba surge no show de Alfredo Del-Penho. Ele faz hoje, no Teatro João Caetano, sua estreia solo e lança dois CDs, o cantado ‘Samba Sujo’ e o instrumental ‘Pra Essa Gente Boa’. Ambos produzidos por um badalado crowdfunding (financiamento coletivo), que teve até Chico Buarque entre os 700 colaboradores.
“O principal do crowdfunding foi criar laços com as pessoas que gostam do meu trabalho, para que elas vejam que ele é sustentável”, diz o cantor que, para ‘Samba Sujo’, buscou a energia das rodas de samba. “Quis que ele tivesse a poeira delas, o suor que a gente deixa nelas. Além dessa prática da relação entre as pessoas, que a roda de samba também dá”, conta Alfredo. O cantor, compositor e pesquisador (e ator) encara o convívio com público e músicos durante os shows quase como uma rede social.
“Escolho o repertório, mas tenho que prestar atenção no público, ver se estão dançando, cantando”, conta. “E vejo como os músicos da roda estão tocando, já que preciso estar conectado a eles. Quem está ali muda a dinâmica da roda. O samba permite a participação de praticamente qualquer pessoa, mesmo que nem seja envolvida com o estilo”.
O show privilegia ‘Samba Sujo’ e seu repertório de clássicos, raridades (como ‘Garota Porogondons’, de Vinicius de Moraes e Baden Powell) e canções próprias. Há dois instrumentais de ‘Pra Essa Gente Boa’, disco com 18 composições próprias que homenageiam amigos e artistas como Paulinho da Viola (‘Memórias de Paulinho da Viola’) e Maurício Carrilho (‘Maurício Volta a Cuba’). O time dos discos inclui nomes como Itiberê Zwarg (arranjos), Paulão 7 Cordas (violão) e Joyce Moreno (voz).