Bia Willcox: Mulheres desiguais

A diferença é algo difícil de ser enxergada ou aceita

Por O Dia

Rio - A trajetória das mulheres na linha do tempo sempre me intrigou. Ela é permeada por dor, preconceito, sofrimento, subjugamento, mas também por prazer, conquistas e reconhecimento.

John Lennon em ‘Woman is the Nigger of the World’ compartilha comigo os questionamentos e incoformidades em relação à mulher. Canto essa música com vontade de protestar. Aumento o volume (principalmente na versão poderosa da Cássia Eller!): “Quando ela é jovem, cerceamos seu desejo de ser livre e enquanto mandamos ela não ser tão inteligente, nós a diminuímos por ser tão burra”. Não há nada que eu pense ou diga que já não tenha sido dito de diferentes formas e um milhão de vezes por aí. Destaco a simbologia que tem o refrão desta música: “A mulher é o negro do mundo. (...) Nós a fazemos pintar seu rosto e dançar”.

John e Yoko tiveram o apoio do movimento negro na época e sofreram com a censura. Se a mulher tem o dom de se pintar e dançar, por que não? Por que isso a torna escrava do mundo? Por que a sua diferença (em relação ao homem) não pode se tornar sua marca registrada na sociedade? O ato de se enfeitar e o charme estético de seus ornamentos não precisam ser sinônimo de inferioridade ou escravidão.

A diminuição da mulher por seus atributos típicos é cultural e não advinda da sua natureza. A mulher é diferente do homem e o seu maior equívoco é tentar ser igual. O que Lennon argumentou é que o homem sufocou as possibilidades de brilho próprio da mulher para poder dizer, ao final de tudo, que ela é menos e ele é mais. O homem é fruto da força da tradição cultural que nasceu de uma leitura equivocada das diferenças dos sexos. Ser diferente não é ser menos ou mais. Mas diferença é algo difícil de ser enxergada ou aceita. É como se nossos sentidos tivessem sido programados para só ver o igual.

No meu mergulho feminino, me deparei com Shakespeare dizendo: “Fragilidade, o teu nome é mulher!” Nada mais correto. A mulher é funcionalmente mais frágil se o parâmetro for fisiológico. A mulher tem hormônios, órgãos e emoções diferentes. Sim, frágil, mas também forte, profundo, mas também superficial, opostas e ao mesmo tempo iguais.

Homens e mulheres são desiguais. O respeito, o mérito e as oportunidades é que devem ser iguais para ambos. E falando em desigualdades, descobri que Aristóteles jamais ficará velho. “A verdadeira igualdade consiste em tratar-se igualmente os iguais e desigualmente os desiguais à medida que se desigualem”. Esse é o futuro brilhante que enxergo para a mulher e suas relações com o mundo.

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