Ricardo Cota: o amor aos pedaços em novo filme de Sandra Werneck

Andréa Beltrão e Daniel Dantas preservam a química original e encarnam com realismo um casal moderno bem típico, separado, mas não desatado

Por O Dia

Andréa Beltrão e Daniel DantasDivulgação

Rio - E assim se passaram 16 anos. Como no bolero, ‘Pequeno Dicionário Amoroso 2’, novo filme de Sandra Werneck codirigido por Mauro Farias, retoma os personagens do saboroso original. O casal Gabriel (Daniel Dantas) e Luiza (Andréa Beltrão) retorna às telas depois de uma longa separação e de várias mudanças no cotidiano de cada um.

Difícil não nos remetermos ao universo de Richard Linklater, diretor da trilogia ‘Antes do Amanhecer’ (1995), ‘Antes do Pôr do Sol’ (2004) e ‘Antes da Meia-Noite’ (2013). Nos dois casos, o desafio cronológico seria impossível sem a consistência de um rigoroso trabalho de equipe. A começar pelos roteiristas. Paulo Halm, autor do roteiro do dicionário original com José Roberto Torero, continua no time, agora ao lado de Rita Toledo. Halm consolidou-se como um dos mais solicitados roteiristas do Brasil, resultado de uma dedicação exaustiva e cujo resultado se percebe na fluência do texto, no domínio do tempo das ações e sobretudo na técnica de entremear histórias sem perder o norte.

O trabalho dos atores também contribui para manter a solidez desta continuação. Andréa Beltrão e Daniel Dantas preservam a química original e encarnam com realismo um casal moderno bem típico, separado, mas não desatado.

O elenco novo segura a onda e contribui para atualizar o filme. Fernanda Vasconcellos é a descolada Alice, filha de Gabriel, que vive, e paga a conta, o amor idealizado, sem fronteiras. Miguel Arraes é o adolescente Pedro, modelo padrão do caçador de sexo pela internet, personagem de um mundo de fantasia que, quando confrontado com a real, também paga sua conta.

‘Pequeno Dicionário Amoroso 2’ guarda méritos do antecessor. Sem os requisitos apelativos tão em voga, o filme preserva o desejo genuíno de catar fragmentos de romances dispersos em meio a tanta agitação social, política e sobretudo tecnológica. “Ninguém diz mais eu te amo”, queixa-se Luiza. É fato. Mas quem sabe a resposta esteja naquela canção, que tão bem cabe no filme, que diz assim: “o amor não tem pressa, ele pode esperar”.

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