Regina Casé coloca em discussão a convivência entre patrões e empregadas

Atriz estrela o filme 'Que Horas Ela Volta?', que estreia hoje

Por O Dia

Rio - A realidade das empregadas domésticas brasileiras que cuidam da casa e das crianças pode ir parar em Hollywood com o filme ‘Que Horas Ela Volta?’. O longa protagonizado por Regina Casé, que entra em cartaz hoje, é um dos favoritos para representar o Brasil no Oscar 2016, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. “Quando me falaram dessa possibilidade, eu entrei em pânico. Procuro nem pensar nisso para não criar expectativas”, diz Regina.

Regina Casé posa com as atrizes Karine Teles (E)%2C a patroa Bárbara no filme%2C e Camila Márdila (D)%2C a Jéssia%2C filha de sua personagem%2C durante a pré-estreia do longa Joao Laet

Ao encarnar a pernambucana Val, que sai de sua terra natal para tentar a vida em São Paulo, deixando a filha pequena para trás, Regina homenageou uma profissão que ela diz conhecer bem. “Estou representando 200, 300 ‘Vals’ que conheci ao longo da minha carreira. Durante os anos em que eu apresentei programas como ‘Central da Periferia’, ‘Brasil Legal’ e até o ‘Esquenta’, eu conheci muita gente especial. Acumulei histórias lindas e guardei gestos. Lembro, por exemplo, do forró que a Val tanto gosta no filme e que eu ouvi várias vezes quando fui ao Nordeste. Não sabia onde eu ia usar tudo isso, até que apareceu essa personagem”, conta.

No filme, que tem direção de Anna Muylaert, Val é empregada há 13 anos em uma casa no Morumbi, bairro nobre de São Paulo, e se vê às voltas com a chegada da filha, Jéssica, vivida pela atriz Camila Márdila. A jovem chega discordando de tudo, principalmente das colocações de Bárbara (Karine Teles), a dona da casa, e colocando em questionamento a posição da mãe, que acredita ser parte da família.

No longa, também é possível acompanhar a relação afetuosa de Val com Fabinho (Michel Joelsas), o filho dos patrões criado pela pernambucana. “Acho que no filme, todo mundo se reconhece um pouco em cada personagem. Eu, por exemplo, quando era pequena, passava grande parte do meu tempo deitada no colo da minha babá, pois meus pais viajavam muito. Outra situação que lembra muito a da Val é que quando a Ana veio cuidar da Benedita, minha filha, ela também teve que deixar o filho pequeno lá no Maranhão. Era um sofrimento muito grande pra ela. Demos um jeito e, um ano depois, o Carlinhos veio para o Rio morar com a gente.”

Nascida e criada na Zona Sul do Rio, Regina sempre mostrou-se segura ao exibir o seu lado popular e com o filme faz um alerta sobre a forma como as empregas domésticas são tratadas no Brasil. “Eu acredito que muito mais do que falar dos direitos que precisam ser garantidos por lei e do salário digno, que são fatores importantes, o que temos que pensar é que ser babá, cozinheira ou arrumadeira é ter uma profissão tão importante quanto qualquer outra. Quem escolhe essa função não pode vê-la como última opção. O que restou para aquela pessoa fazer da vida. Tem que ser uma escolha consciente. Até para ajudar a mudar essa visão preconceituosa das pessoas”.

Cenas do filme dirigido por Anna Muylaert%2C que estreia hoje Divulgação

E como será que é a relação da atriz com seus funcionários? “Lá em casa tem a babá do Roque (filho adotivo de 2 anos de Regina Casé), a cozinheira e a governanta. Temos um diálogo ótimo, muito aberto. A questão do uniforme, por exemplo, eles usam. Mas eu sempre perguntei se era algo que os deixavam incomodados. Como eles disseram que não, então não vimos problemas em pedir para que usassem.”

Aclamado pela crítica internacional, ‘Que Horas Ela Volta?’ já rendeu a atriz, de 61 anos, o prêmio especial do júri de Melhor Atriz em filme estrangeiro no Festival de Sundance, nos EUA, além da já citada indicação a representante do Brasil no Oscar, como aposta o site ‘Indie Wire’ e a revista inglesa ‘Screen’. Sobre o prêmio e os elogios recebidos, Regina brinca. “Isso tudo foi ótimo para eu tomar vergonha na minha cara e começar a equilibrar melhor a minha vida profissional. O lado apresentadora com o da atriz, seja para fazer uma comédia ou um drama.”

Amigos orgulhosos

A pré-estreia do filme ‘Que Horas Ela Volta?’, que aconteceu na noite de terça-feira, no Cinépolis Lagoon, na Lagoa, reuniu várias celebridades, todas orgulhosas e curiosas para assistir a Regina Casé e seu lado dramático entrarem em cena. “A Regina é uma das melhores atrizes brasileiras, fiquei completamente apaixonada desde a primeira vez em que a vi no teatro. Faz tempo que ela não atua por conta do trabalho como apresentadora, mas não me surpreende que ela já esteja ganhando prêmios”, elogiou a atriz Lilia Cabral. A atriz Débora Bloch complementou. “Sou amiga da Regina desde a adolescência e sempre achei uma pena ela ficar tanto tempo longe da atuação. Ela é uma atriz completa.”

Carolina Dieckmann, que, vira e mexe, mostra o seu requebrado no programa ‘Esquenta’, acredita que as pessoas acabaram rotulando o trabalho de Regina Casé. “É claro que Regina é uma mulher engraçada. Eu jamais poderia discordar disso. Mas ela também é uma atriz que sabe sair do lugar comum. Limitar a Regina só à comédia é um erro.” 

Lizandra Souto, que chegou acompanhada do namorado, o empresário Gustavo Fernandes, já estava com o lencinho de papel na mão. “Sou chorona e, pelo que eu vi no trailer, a personagem é profunda. Admiro muito o trabalho da Regina. Ela sabe fazer tudo muito bem”, disse a atriz.

Últimas de Diversão