Black music e feira de gastronomia em frente ao Tribunal de Justiça do Rio

Evento acontece neste sábado, das 13h às 18h

Por O Dia

Rio - 'O charme quase não ganha as manchetes dos jornais, mas ele faz sucesso. E nós vamos fazer justiça a ele!”, brinca Marco Aurélio Ferreira, o popular Corello DJ. Fato: o estilo, praticamente conceituado por ele em 1980, atrai multidões — e ganha amanhã, das 13h às 18h, um evento à altura de sua história. A área em frente ao Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), no Centro, vai se encher de batidas leves e dançantes no baile especial ‘A Justiça É O Charme’. E a ideia não é só fazer dançar. Quem passar pela Rua Erasmo Braga, onde rola o som, ganha uma grande aula de história do estilo.

Corello DJ%3A 'O charme quase não ganha as manchetes dos jornais%2C mas faz sucesso. E vamos fazer justiça a ele'Reprodução Internet

Se os mais velhos recordam-se de sucessos definidores como ‘All Around The World’, da americana Lisa Stansfield, as crianças e adolescentes têm contato com o charme por intermédio do passinho, dançado em vários bailes e workshops. “Ele é importante para propagandear o charme. Muitas pessoas não sabem dançar e pegam em cinco minutos os passos”, conta Corello. No evento, um grupo de jovens dançarinos irá fazer um workshop, ensinar vários passinhos e interagir com todo mundo que quiser aprender a tal diferença entre o charme e o funk.

A tal “aula de história” do começo da matéria não é brincadeira. Além da dança (e da feira de gastronomia dos food trucks que complementa a diversão), um grupo de dançarinos mais antigos irá apresentar a encenação ‘A História da Black Music no Rio de Janeiro’. O texto, escrito por William Vorhees, mostra que a história dos bailes charme vem lá de trás, e passa por hits definitivos como ‘Brazilian Rhyme’, do Earth, Wind and Fire (que é versão para o inglês de ‘Ponta de Areia’, de Milton Nascimento) e ‘Sex Machine’, de James Brown.

O som tocado toda semana no baile do Viaduto de Madureira tem muita história. Corello lembra de ter começado a tocar charme em “8 de março de 1980, no Clube Mackenzie, na Tijuca”, como recorda. “Eu já estava ligado nas modificações do R&B americano, enquanto uma galera que tocava um som mais pesado se especializou em funk melody. Um dia toquei um som mais leve no clube e falei no microfone: ‘Chegou a hora do charminho, transe seu corpo bem devagarzinho’. E pegou. Muitos DJs que hoje são do funk tocaram charme, como o Marlboro”, recorda.

Corello convidou ainda mais quatro DJs do estilo para iniciar os trabalhos (DJ A, Fabinho R&B, Janssen e Guto). E quer ver a rua cheia de gente a fim de se divertir. “Espero umas mil pessoas. Bom, espero até mais, mas vamos ver, né?”, brinca, anunciando que o ambiente é ótimo para namorar ou largar a solteirice. “Já foi num baile charme? Se nunca foi, prepare-se, porque parece que você está entrando num clipe”, incentiva.

CULTURA É JUSTIÇA

O baile charme do Tribunal de Justiça é um dos eventos realizados em 2015 pelo projeto ‘Justiça É Cultura’. Em 21 de abril, a encenação ‘Desenforcamento do Tiradentes: Justiça Ainda Que Tardia’ levou para o antigo Palácio da Justiça um novo julgamento do mártir da Inconfidência Mineira, interpretado pelo ator Milton Gonçalves. “A ideia é que o Tribunal dialogue com a sociedade. O Poder Judiciário irá conhecer o poder da dança”, brinca o professor e historiador Joel Rufino dos Santos, diretor-geral de Comunicação e de Difusão do Conhecimento do TJRJ. “A Justiça conhecerá uma realidade extra-muros. E o público irá conhecer uma Justiça que não é só de burocracia ou de leis. O aprendizado é mútuo.”

Serviço

A JUSTIÇA É O CHARME. Rua Erasmo Braga s/nº, Centro. Amanhã, das 13h às 18h. Gratuito.

A FESTA É FORA DO TRIBUNAL

Mas é possível conhecer a Justiça brasileira por dentro amanhã, também. O antigo Palácio da Justiça tem visita teatralizada e guiadas com dois personagens cicerones: o jurista Ruy Barbosa (Eduardo Diaz) e Têmis, Deusa das Leis e dos Juramentos (Dulce Penna de Miranda). Entre os espaços históricos estão o Salão dos Passos Perdidos, o I Tribunal do Júri, a Sala de Câmara Isolada e o Tribunal Pleno. A visita começa às 16h, é gratuita e indicada para todas as idades. Rua Dom Manuel 29, Centro (3133-3366).

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