Bia Wilcox: Os audiozinhos e audiozões da vida moderna

Chegamos ao cúmulo de perguntar por mensagem se podemos ligar

Por O Dia

Rio - Às vezes me pego pensando sobre o que vai ser das operadoras de telefonia, coitadas. Vocês já repararam que as pessoas (especialmente as mais jovens) falam cada vez menos ao telefone em seu dia a dia?

Telefone fixo virou artigo raro e quase obsoleto. Hoje você tem a opção de ligar para telefone fixo de graça do seu celular. Para receber ligações em seu fixo, a tendência é só atender se pudermos identificar a chamada — um costume da modernidade.

Acho que o fixo ainda tem seu lugar merecido nos ambientes corporativos. Na casa da gente ficou relegado a segundo plano.

Audiozinhos%2C audiozões%2C vários áudios. Essa é a tônica da comunicação hoje.Agência O Dia

Vamos agora aos celulares.

Há nem tanto tempo assim, a gente pagava por um plano de celular e tinha que se preocupar em não estourar muito o número de minutos do pacote para não gastar demais com conta de telefone. Depois veio o tempo em que começamos a ligar de graça para telefones da mesma operadora que a nossa. Começou a melhorar! Tem gente até hoje com um número e aparelho para cada operadora, vejam só. Mas a felicidade durou pouco: veio a portabilidade e bagunçou tudo — ninguém mais sabe para que operadora está ligando!

Hoje a questão não é mais se os minutos falados custam ou não. A questão atual é não precisar ou querer bater papo ao celular. Anda cada vez mais raro atender telefone, mesmo com identificador de chamadas. Ligar para quê? Quer falar? Manda mensagem, ora.

Chegamos ao cúmulo de perguntar por mensagem se podemos ligar.

Não é nada incomum se agendar por e-mail uma hora certa para se ligar para alguém. Ligar, sabe,aquela coisinha corriqueira que fazíamos a toda hora há nem tanto tempo assim...

Hoje é tudo por mensagem. Ou melhor, hoje é tudo por áudio! Lembram do walkie-talkie que paras as crianças era sonho de consumo? É mais ou menos isso: você deixa uma mensagem, o interlocutor deixa outra e assim segue a interatividade. Se você se ocupar ou abrir o sinal de trânsito, o outro lado da linha, espera pela resposta quando der. Quando rolar.

Audiozinhos, audiozões, vários áudios. Essa é a tônica da comunicação hoje.

Não é rabujice nem saudosismo. Costumo dizer que o melhor tempo é sempre o agora. É só uma observação de quem debruça na janela da contemporaneidade para ver a banda passar, evoluir, mudar. Somos transformers da comunicação.

Quanto a mim pessoalmente, sou um camaleão perfeitamente adaptável aos tempos. Perguntem a quem recebe meus infindáveis áudios todo o dia.

Perguntem a quem recebe meus infindáveis áudios todo o dia.

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