Por karilayn.areias
Dicionário que é uma declaração de amor ao Rio e aos seus personagensArte%3A O Dia Online

Rio - Encerrando a série de verbetes afetivos sobre o Rio de Janeiro, hoje prosseguindo com a letra Z:

Zeca Pagodinho — Em meio às previsíveis e arrasadoras chuvas de início de 2013, uma das regiões do Rio de Janeiro entre as mais afetadas foi o distrito de Xerém, na Baixada Fluminense. Em meio à correria e o desespero causados pelos alagamentos, um personagem se deslocava de um lado para o outro, transportando alimentos, roupas e pessoas desalojadas: o cantor e compositor Zeca Pagodinho, que tem sítio na área há muitos anos, ali mantém uma escola de música para crianças carentes e cultiva muitos amigos. O carioca da gema Jessé Gomes da Silva Filho nasceu em 1959, em Irajá (bairro que deu inúmeros craques do samba, de Nei Lopes a Dorina, e lhe presenteou com o apelido durante os desfiles no bloco Boêmios do Irajá). Foi criado em Del Castilho, circulou pelas zonas heroicas dos subúrbios do Rio, abriu o coração à sombra da tamarindeira do Cacique, fincou âncoras em boa parte do subúrbio do Rio e da Baixada, e hoje flana impávido pela Barra da Tijuca. Salve, Zeca, sujeito bom, totalmente do bem.

Zico — Quem o viu ocupar o templo do futebol carioca, o Maracanã, como se fosse sua própria casa, sabe por que ele figura nesse modesto Dicionário que é, antes de tudo, uma declaração de amor ao Rio e aos seus personagens. Quem nunca o viu jogar deve saber muito bem o que perdeu.

Ziraldo — Carioca de fato ele não é, mas por descuido. É de direito. Mudou-se de Minas para o Rio bem jovem, e na cidade encontrou outra régua, novos compassos. Nascido em Caratinga (MG), em 1932, Ziraldo (Alves Pinto) começou a publicar seus primeiros desenhos no comecinho da década de 1950, em Belo Horizonte, no jornal ‘A Folha de Minas’. Em 1955, se integrou à equipe do jornal ‘O Binômio’, dirigido pelo bravo José Maria Rabelo, e logo foi chamado para trabalhar no Rio de Janeiro, em ‘O Cruzeiro’, onde desenhou, diagramou, escreveu, editou e se apaixonou pelo humor, pelas ideias e pela cidade. A partir daí, o múltiplo Ziraldo dedicou-se à publicidade, às charges diárias que marcaram época na página de Opinião do ‘Jornal do Brasil’, nas páginas especiais na imprensa, como o ‘Cartum JS’ (criado por ele no ‘Jornal dos Sports’) e à atuação política nas páginas do recém-nascido ‘Pasquim’, no final da década de 1960. Além de ‘A Turma do Pererê’, criou personagens emblemáticos do humor brasileiro, como Jeremias, o Bom, Mineirinho, o Come Quieto, Supermãe e tantos outros. Dirigiu as revistas ‘Bundas’ e ‘Palavra’, além do jornal ‘O Pasquim21’. É fortemente ligado à literatura infantojuvenil — atividade na qual já brilha com mais de 100 títulos lançados, entre eles o best-seller ‘O Menino Maluquinho’. Ziraldo pode não ser carioca, mas bem que o Rio gostaria que ele fosse.

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