Primeira etapa do Rock in Rio tem shows nostálgicos, polêmica e reencontros

No domingo, Rock In Rio leva plateia de volta aos anos 70. No sábado, show do Metallica tem falhas no som e, na sexta, homenagem a Cássia Eller comove

Por O Dia

Rio - O fim de semana foi de shows históricos na primeira etapa do Rock In Rio 2015. No domingo, Elton John e Rod Stewart levaram as 85 mil pessoas de volta aos anos 70, com sucessos como ‘Your Song’ (do primeiro) e ‘Maggie May’ (do segundo), encerrando o Palco Mundo. Os dois shows atraíram famílias e um público acima dos 40 anos ao festival. “Gostei muito do Elton e do Rod, principalmente pelo setlist. Os dois jogaram para o público, não deixando aquela sensação de: ‘Faltou aquela...’”, festejou o publicitário Paulo Gatti, 43.

Elton John faz show nostálgico no Rock in Rio EFE / ANTÔNIO LACERDA

No Palco Sunset, Pepeu Gomes, às lágrimas, dividia o palco pela primeira vez em mais de 30 anos com sua ex-mulher Baby do Brasil, tendo ao lado o filho Pedro Baby, na guitarra. “Cresci ouvindo Novos Baianos (grupo de Baby e Pepeu) por causa da minha mãe. Agora, estamos juntas neste show único”, comemorava a universitária Katia Silva, 20, ao lado da mãe, Maria do Rosário, 49. “Esse é um momento histórico para a música brasileira. Vocês não vão ver mais isso nem daqui a cem anos”, disse a cantora, entre Pepeu e o filho Pedro Baby. Paralamas do Sucesso e Seal mantiveram o clima nostálgico. A banda carioca recordou sucessos e homenageou a avó do baterista Bi Ribeiro, Ondina, no telão (era na casa dela onde aconteciam os primeiros ensaios do trio). O cantor inglês intercalou seus únicos hits no Brasil, ‘Crazy’ e ‘Kiss From a Rose’ com mais canções dançantes.

No sábado, dia cheio no festival para acompanhar a primeira noite de heavy metal. O Palco Sunset ganhava uma lotação além de suas possibilidades nos shows de bandas como Korn e Ministry, voltando ao velho problema do desconforto do local. “Esses shows tinham que ser no Palco Mundo”, reclamou Flavio Mello, 18 anos, estudante. Já o espaço principal do festival teve o encerramento do Metallica marcado por emoções fortes. Anunciando que iriam “voltar aos estúdios” e que seria o último show do ano, o grupo apresentou seis canções do clássico ‘Metallica’, de 1991, e raridades como ‘Frayed Ends Of Sanity’. Porém, uma “desconexão da linha de saída de som entre a mesa da banda e a do festival” (disse a assessoria) fez a banda ficar muda duas vezes durante ‘Ride The Lightning’. “Meu medo foi o grupo baixar o astral e parar de interagir com a plateia, mas o show foi bom”, disse o corretor de imóveis Lucas Adena, 27.

Após 27 anos%2C Pepeu Gomes e Baby Consuelo se reencontraram nos palcos%2C ao lado do filho Pedro BabyJoão Laet / Agência O Dia

Na sexta, o Palco Mundo ganhou shows mornos de bandas ainda sem muitos fãs no Brasil, como OneRepublic e The Script. E o encerramento com a junção de dois quartos do Queen (Brian May na guitarra e Roger Taylor na bateria) com o cantor americano Adam Lambert, tão aplaudido quanto controverso. O grupo começou com ‘One Vision’, lembrou sucessos como ‘Under Pressure’, ‘Stone Cold Crazy’ e ‘We Are The Champions’ e até ‘Love Of My Life’, sucesso memorável na edição 1985 do festival, mas que desta vez foi cantado por Brian May. “Eu adorei o show, mas esse Adam tá mais para cantor de ópera”, brincou a museóloga Clarissa Ribeiro, 30. Teve quem também chorasse baldes de lágrimas na homenagem à cantora Cássia Eller, encerrando o Palco Sunset na sexta, com participações de Zélia Duncan, Nando Reis, Mart’nália, Ney Matogrosso e dos novos Thiago Pethit e Julia Vargas. 

Registro de furtos, esgoto a céu aberto e climatizador

Mais de 160 furtos foram registrados no primeiro fim de semana de Cidade do Rock. Na noite de sábado, uma multidão aguardava para realizar boletim de ocorrência. Na primeira noite de Rock in Rio não foi diferente. “Acho sempre importante lembrar as pessoas de só colocarem a carteira e o celular no bolso da frente”, diz o coordenador da polícia civil do Rock in Rio, Paulo Passos. Houve também casos de vendas de material falsificado do festival. Muitos reclamaram do esgoto a céu aberto ao lado da roda gigante. Por conta deste fato, o Procon autuou o evento, ameaçando aplicar uma multa. Procurada, a assessoria do evento divulgou em nota que o problema foi causado pela parada de uma bomba de sucção e, para resolver, o festival investiu em um sistema redundante de tubulação de esgoto. Mas, na tarde de domingo, um forte odor foi sentido próximo ao palco Sunset.

Mas também há motivos para comemorar. O público se encantou pelo climatizador instalado bem perto da entrada da Cidade do Rock. O local virou o preferido dos frequentadores. “Por mim, eu ficaria aqui e não sairia nem durante os shows”, brincou a mineira Cátia Emerick, de 37 anos.

Filas sem solução

O APLICATIVO BLOOM, criado para diminuir as filas nos brinquedos, conseguiu resolver o problema em parte, mas a demanda sempre é maior do que a oferta. “Para agendar a tirolesa, cheguei aqui às 13h. Quando o portão abriu (às 14h), foi um desespero. Todos saíram correndo para a fila do agendamento”, contou a jornalista Neuma Silva, de 30 anos, enquanto aguardava a sua vez para ir ao brinquedo.

O sistema pode simplificar a vida e diminuir a espera. Mas até a idealizadora do Bloom admite que é impossível acabar com as filas. “Queremos que as pessoas tenham mais tempo livre para curtir o Rock in Rio”, diz a sócia criadora do aplicativo, Isabelle Perelmuter. “Mas a ansiedade das pessoas é tão grande que, mesmo sabendo que tem um horário marcado, chegam antes aos brinquedos e fazem fila. No caso da tirolesa, que é a atração mais concorrida, temos uma média de 800 vagas por dia. Neste caso, não é culpa do sistema que esgote tão rápido”, analisa Isabelle. Já as filas para comprar alimentos — e os preços caros — permanecem sem solução.

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