Por tiago.frederico

Rio -‘O Plínio Marcos (1935-1999) entrava na alma dos personagens. Captava bem as pessoas, era muito observador. Se falava de prostitutas ou escrevia palavrões, era o de menos”, diz a atriz e produtora Marta Paret, sobre o pioneirismo e a maldição do ator e dramaturgo nascido em Santos (SP), que teria completado 80 anos em setembro. E é homenageado a partir de hoje no ciclo de leituras ‘Plínio 80 Anos’, na Casa da Gávea. Durante as quatro segundas-feiras do mês, vários grupos leem peças do autor — começando hoje às 21h com o forte texto de ‘Navalha na Carne’, dirigido por Rubens Camelo e interpretado por Marta, Rogerio Barros e Zé Wendell.

Marta Paret (no centro) durante a temporada de ‘Navalha Na Carne’ num hotel%2C “com prostitutas ao lado”Divulgação

Marta, que é curadora do evento ao lado da coordenadora do Ciclo de Leituras da Casa, Marcia do Valle, frisa que o choque de uma peça como ‘Navalha’ pode até não ser o mesmo dos anos 60, mas ainda existe. “Esse texto é um soco na boca do estômago”, conta, referindo-se à peça que mostra três personagens (uma prostituta, um gay e um gigolô) dividindo um quarto de hotel e a situação de marginalidade. Marta chegou a produzir em 2010 uma temporada da peça num quarto do antigo Hotel Paris, na Praça Tiradentes.

“Havia prostitutas trabalhando no quarto ao lado. Nos anos 60, ter uma prostituta como protagonista chocou horrores. Lógico que hoje é diferente, mas escolhemos um lugar em que a classe média, quando passa em frente, troca de calçada. Respeitamos o espírito revolucionário do Plínio”, recorda.

O ciclo prossegue com ‘Mancha Roxa’ (12 de outubro), com direção de Pedro Cadore, sobre presidiárias que descobrem ter o vírus HIV. Dirigida pelo ator preferido de Plínio, Emiliano Queiroz, e trazendo nomes como Miriam Freeland, Roberto Bomtempo e a própria Marta no elenco, ‘Abajur Lilás’ (19), fala sobre tortura e morte num prostíbulo. ‘Barrela’ (26), dirigida por Inez Viana e encenada pela Cia Omondé, fala da convivência de seis prisioneiros e o estupro de um rapaz recém-chegado à prisão. A entrada em todas as datas é franca, com senhas retiradas uma hora antes.

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