'O Beijo no Asfalto' retorna ao palco em versão musical

Clássico de Nelson Rodrigues está no Sesc Ginástico

Por O Dia

Rio - Com algumas peças de Nelson Rodrigues no currículo, o diretor teatral João Fonseca já viu de perto as reações extremas causadas pelos textos do autor. “É ame-o ou odeie-o. Quando fiz ‘O Casamento’ (1997), tinha gente que ia embora no meio, revoltado. E outras que voltavam cinco vezes”, lembra-se ele, que volta a visitar a obra rodriguiana com a primeira versão musical de ‘O Beijo no Asfalto’, em cartaz no Sesc Ginástico.

Claudio Lins e Pablo Áscoli na cena do beijo da montagem musicalDivulgação

Não por coincidência, o endereço serviu como palco de estreia não só para a peça, há 55 anos, como para a carreira profissional de Francisco Cuoco e Suely Franco, que deram vida a Dalia e Arandir na montagem original. Bastou o espetáculo começar para que a dupla voltasse no tempo e lembrasse da reação da plateia à trama sobre um homem arruinado ao atender o último desejo de um atropelado: beijá-lo.

“Antes de entrar em cena, ouvi aquele alarido da plateia, gente se levantando e indo embora. Nunca me esqueço do Mário Lago, que interpretava meu pai, dizendo: ‘Calma, espera, isso vai passar’”, recorda a atriz, que se espanta em como os temas do texto permanecem atuais.

“Tinha gente que se chocava, né. E até hoje eu vejo isso”, comenta Cuoco. “Acho que é uma coisa que vai ser assim a vida toda. Nunca vai ter uma aceitação total dessa coisa bonita, que é você enxergar com carinho quem é diferente de você”, completa.

Claudio Lins, protagonista da nova montagem e compositor das canções para o musical, acha imprescindível continuar discutindo essas questões e lembra que até o autor intervinha às desistências do público, na década de 60. “Tem uma história de que o Nelson ficava no foyer do teatro, convencendo as pessoas a voltarem para a sala”, conta Claudio, que completa: “Era um homem muito à frente de seu tempo.”

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