Rio - O futuro chegou. Ontem. Ao menos para os fanáticos da trilogia da série ‘De Volta para o Futuro’. No número dois da franquia, 21 de outubro de 2015 seria o dia em que Marty McFly, a namorada Jennifer Parker e o atordoado Dr. Emmett L. Brown chegariam a um futuro então longÃnquo, que a partir de hoje já é passado.
Muito se escreveu sobre as especulações futuristas que não se concretizaram, como os tênis que amarravam sozinhos, os skates flutuantes e o incrÃvel figurino de terno com duas gravatas. Tênis e skates sobreviveram, ainda que sem as inovações imaginadas. O terno, também. As duas gravatas, felizmente, não.
A maior mudança que ocorreu nesses 30 anos, porém, atingiu não apenas os hábitos e costumes de uma sociedade que aprendeu, nesse Ãnterim, a conviver com objetos eletrônicos, como smartphones, tablets, laptops e computadores, que consequentemente fragmentaram o convÃvio pessoal e o transformaram em rede (de mÃdia) social.
A maior mudança ocorreu no próprio cinema. Os anos 80 foram o último suspiro dos grandes lançamentos em salas com lotação de mil lugares que facilmente lotavam, sobretudo com os lançamentos da dupla Spielberg e George Lucas. O videocassete (lembram-se?) virara ameaça, a ponto do italiano Bernardo Bertolucci, quando do lançamento de ‘O Último Imperador’, de 1987, declarar o fim do cinema. Nem o cinema acabou, nem Bertolucci, para nossa sorte, parou de filmar.
O que mudou mesmo foi a forma de ver e fazer cinema. Das pelÃculas em 35mm aos diversificados mecanismos de filmagem e projeção digital, o conceito de cinema mudou radicalmente. Para o bem e para o mal. Hoje, jovens cineastas espocam por todos os cantos usando o seu talento no manejo de qualquer instrumento de captação visual. Nunca se produziu tanto. Por outro lado, a questão agora é onde projetar tanto conteúdo.
AÃ, talvez esteja o desafio para McFly e cia. Projetarem para os próximos 30 anos quais serão os espaços públicos em que o cinema manterá acesa uma de suas mais fascinantes caracterÃsticas: promover o encontro, o debate e fugir à catatonia da visão individualizada de filmes em computadores e afins. Aguardemos.Â