Hamilton de Holanda encerra turnê 'Pelo Brasil' no Theatro Net Rio

Músico comemora sucesso do projeto, que já foi lançado em CD. 'Foi uma proposta vencedora', diz

Por O Dia

Rio - Interação multimídia, com projeções e jogo de luzes, fazem parte do show de um artista pop, certo? Para o bandolinista e compositor Hamilton de Holanda, eles também tem lugar junto à música instrumental. Com a apresentação no Theatro NET Rio, nesta terça-feira às 21h, o músico encerra a turnê 'Pelo Brasil' e comemora o sucesso do projeto, que já foi lançado em CD. "Foi uma proposta vencedora. O cenário aproximou o público. Eles se lembraram da infância, da suas cidades'', conta o músico, que, no espetáculo, toca ao lado de um vídeo de si mesmo criança, já manejando bandolim aos sete anos.

Hamilton de Holanda encerra turnê nesta terça-feiraDivulgação

Assim, fica fácil perceber porque o instrumento é o xodó do músico. Ele inventou o bandolim brasileiro de 10 cordas, apresentando-se somente com ele. Apesar de já ser conhecido e premiado, ele nem imaginava que conquistaria tanta coisa. "Eu sempre fiz música porque gostava. Meu pai dizia que ia me trazer muitos amigos", diverte-se ele, que tocava nas rodas de música com o pai. Paixão essa que ele 

passa para os filhos, Gabriel, que toca piano aos 8 anos, e Rafaela, de 11, que gosta de cantar. "Dar continuidade a esse legado não tem preço. Meu pai também tocou com o pai dele". Além da música, ele também busca passar outros valores. "Eu sempre trabalhei e fiz tudo direito, com parcerias legais. Tento achar a responsabilidade na liberdade", pondera.

Além do vídeo do pequeno Hamilton, outras imagens retrospectivas passam pelo palco, contando a história da música brasileira. Com repertório autoral e inédito, o artista reuniu um pouco de cada ritmo do país, indo do carimbó ao choro, do bumba-meu-boi ao chamamé. "Eu pesquisei bastante para compor. Muita coisa eu já conhecia, mas outras não, como o lambadão em Cuiabá''. No entanto, boa parte do aprendizado foi na estrada. Em Palmas (TO), o compositor visitou a aldeia dos índios Pataxós, onde foi homenageado. "Fui abençoado pelo chefe da tribo, em um ritual de agradecimento. Cantaram para mim, foi muito emocionante", lembra o músico, que contou com a participação dos Pataxós no show na cidade.

Essa foi uma das inovações da turnê, que, na prática, trouxe uma novidade para cada apresentação. Em todos os shows, Hamilton deixou um espaço para o improviso, compondo canções na hora. Segundo ele, a inspiração varia com o cenário. "Na entrada de um hotel em Belo Horizonte, vi um passarinho caído no chão. Peguei e coloquei em uma caixa. No meio do show, entrei numa viagem de como seria o canto dele e fui improvisando esse som", explica. Todo o material inédito estará no DVD na turnê, enquanto o CD já está disponível no site do projeto para ser escutado de graça. Dono da gravadora Brasilianos, o músico disponibiliza partituras em arquivos em alta reprodução em seu site. "O artista de hoje tem que estar ligado nas novas plataformas. Isso aproxima e prestigia quem gosta do seu trabalho", afirma.

Reportagem: Clarissa Stycer

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