Fafá de Belém revela seu lado rock 'n' roll em novo projeto

Ela cantará Ira!, Plebe Rude e Pitty no projeto ‘Inusitado’, com versões pesadas até para clássicos seus como ‘Apaixonada’

Por O Dia

Rio - Pode acreditar: Fafá de Belém é do rock. “Meu espírito é heavy metal”, diz, emendando com uma de suas sonoras gargalhadas. A cantora vai mostrar seu lado mais roqueiro ao lado de Edgard Scandurra (guitarra e direção musical, também Ira!) e dos irmãos da banda Dr. Sin, Andria (baixo) e Ivan Busic (bateria) amanhã e depois em show na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. E traz surpresas, como a inédita ‘Robusta’, música que quatro dos Titãs em sua formação clássica — Arnaldo Antunes, Toni Bellotto, Marcelo Fromer e Nando Reis — compuseram para ela em 1985.

'Quis cantar Charlie Brown Jr.%2C mas não achei nenhuma música no meu perfil'%2C diz Fafá de Belém Divulgação

“Lembro que eu estava viajando, aí cheguei em casa e tinha um envelope para mim. Nele estava escrito ‘Titãs’, e mais nada, com a fita dentro. Nem sabia mais que essa fita ainda existia, um sobrinho-neto meu que encontrou”, conta Fafá, lembrando que o refrão tem versos como “robusta/minha beleza assusta” e ainda faz referência ao ‘Hino Nacional Brasileiro’, gravado por ela numa versão de voz-e-piano no LP ‘Aprendizes da Esperança’, de 1985. “Tem um verso que é ‘ó pátria amada, idolatrada, uouou’”, conta, rindo. “Eu ainda estou tirando a letra, tem um pedaço que não entendi. Liguei para o Toni, que estava em Nova York, para perguntar, e ele falou: ‘Não acredito que você achou isso!’. O Arnaldo Antunes morreu de rir”.

O projeto de Fafá de abraçar o rock já é antigo. Do estilo, ela só havia gravado ‘Desordem’, dos mesmos Titãs, no disco ‘Do Fundo Do Meu Coração’ (1993). Mas ela já tentara gravar um CD mais estridente na década posterior. “Quando eu estava na Warner (gravadora), conversei sobre isso com Tom Capone, que era diretor-artístico. Mas ele morreu (em 2004), eu saí da gravadora... Na adolescência, eu ouvia de tudo: Beatles, Led Zeppelin, Black Sabbath, Vangelis, The Who, Joe Cocker, Rita Lee, O Terço. Mas a canção romântica sempre foi mais importante para mim como intérprete, até porque não falo inglês”, recorda.

Em abril, Fafá assistiu ao show de Alcione cantando músicas francesas no mesmo ‘Inusitado’, gostou e decidiu ligar para seu André Midani, que ela chama de “meu primeiro patrão” (foi presidente da Philips, hoje Universal, sua primeira gravadora). “Ele me disse que estavam fechando a agenda e perguntou o que eu gostaria de cantar. Respondi: ‘Rock!’. E ele: ‘Mas isso é mesmo inusitado!’”, diverte-se.

Edgard Scandurra, escolhido pela própria Fafá para o projeto, até discorda. “Sabe que nem me parece tão inusitado? Ela tem uma voz forte e uma presença que não deixa de ser rock. E está superbem com o fato das guitarras e da bateria serem altas, com a distorção da guitarra, que são características do rock”, lembra Edgard. O guitarrista do Ira! havia conhecido Fafá quando foi sócio de um bistrô francês em São Paulo, o Le Petit Trou. “Ela costumava ir lá e começamos uma amizade à distância. Depois, a encontrei quando dei um show com o Ira! na Virada Cultural de São Paulo”. Antes, Roberto Frejat dirigiria o show. “Acabou não acontecendo porque ele estava muito ocupado com aquelas questões de direitos autorais e precisou sair”, lembra Fafá.

O show vai ter 17 canções e não se afasta totalmente da MPB, incluindo versões mais pesadas de ‘Naturalmente’ (Caetano Veloso e João Donato) e do sucesso de Fafá ‘Apaixonada’ (Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle). Entre as novidades, tem Fafá cantando Plebe Rude (‘Até Quando Esperar’), Legião Urbana (‘L’Avventura’) e Pitty (‘Me Adora’, dos versos: ‘Que você me adora/Que me acha foda/Não espere eu ir embora pra perceber’). “A Pitty tem uma atitude foda!”, alegra-se a cantora, que revirou até a obra do Charlie Brown Jr. em busca de músicas para o show. “Mas não achei nada no meu perfil”. Ira!, Otto e Roberto Carlos estão também no set list.

Nos anos 80, era de ouro dos programas de playback na televisão, Fafá dividiu camarins com artistas de rock nacional nos bastidores de atrações como o ‘Globo de Ouro’ e o ‘Cassino do Chacrinha’. “Nos encontrávamos também muito no Baixo Leblon, no (restaurante) Diagonal. O Cazuza era muito querido. Uma vez, ele até disse que queria fazer um bolero para eu cantar. Pena que não deu tempo”, lamenta.

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