Prática íntima da sexualidade, fetiche se manifesta sobre mais diversos objetos

Apresentadora Grazy Alcântara conta experiências e fala de homens que pagam para ser dominados em calabouço

Por O Dia

Rio - O termo fetiche vem ficando cada vez mais comum no cotidiano, com muitos livros e filmes a respeito, mas na hora de definir o que é, ninguém sabe ao certo. "É uma prática íntima da sexualidade", afimou o psicanalista Alberto Goldin em entrevista nesta quarta-feira. Na psicanálise, fetiche se restringe ao universo sexual e o objeto que ganha esse caráter pode ser aleatório, como um sapato, por exemplo. "Para um fetichista, a calcinha vale mais que a vagina", explicou Goldin. "Quase sempre o fetichismo é masculino", acrescentou.

Esse fetichismo masculino foi o que a apresentadora Grazy Alcântara viu em uma experiência no México, para uma das atrações do canal Multishow. "Fomos a um calabouço para ver uma dominatrix de 45 anos. Ela ganha dinheiro só com essa atividade", contou ela sobre a experiência que mais a impressionou. Segundo Grazy, muitos executivos, até mesmo de outros países, e pessoas que estão acostumadas a dar ordens procuram a mulher para serem dominados e acorrentados.

Apresentadora Grazy Alcântara presenciou fetiches de homens em calabouço Divulgação Grazy Alcântara/ J. Domingos Fotografia

Na ocasião, a apresentadora foi içada e amordaçada. Perguntada se chegou a ficar com medo, ela afirma que não e que há sinais para indicar até onde indivíduo quer ser levado. "Não cheguei a ficar assustada porque toda a equipe estava lá", afirmou. "Fiquei assustada com o lugar. Quando você entrava no lugar, via todos os acessórios, máscaras e gaiolas", contou.

Para a apresentadora, fetiche é algo que "todo mundo tem vontade, mas nem todos tem coragem". Sobre uma situação em que tenha vivenciado um fetiche seu, Grazzy conta que já saltou de bungee-jumping fazendo topless duas vezes, uma delas foi em uma festa para 50 mil pessoas, em Curitiba, com a presença do marido. "Ser observada é um tipo de fetiche. Gosto muito", revelou.

No Brasil ainda há um tipo de resistência ao universo ligado ao fetiche, segundo a apresentadora. "Lá fora levam isso muito a sério. É meio que uma seita, uma religião", afirmou Grazzy.

Entre casos extremos, ela conta: "Vi um casal que prendia agulhas nas mãos e em seguida um arranhavam um ao outro. Para mim, isso não é saudável, mas penso que se eles estão bem assim, não sou ninguém para julgar".

O psicanalista explica que o fetiche se apresenta em diferentes formas e níveis em cada indivíduo. "Uma cleptomaníaca que tem um orgasmo quando está roubando", exemplificou Goldin sobre casos de maior grau. "Na sexualidade hoje em dia há uma série de objetos usados para estímulo sexual, mas isso não é fetiche", afirmou. Segundo o especialista, o fetiche ocorre quando se tira um objeto de seu lugar comum para ressignificá-lo no âmbito sexual.

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