Rio - A menos de um ano das OlimpÃadas, o Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro — Odeon sedia a partir de hoje o Festival Internacional de Filmes de Esporte. Este ano, o Festival tem como tema os Jogos OlÃmpicos e ParalÃmpicos, com filmes de interesse não apenas para os fanáticos em esporte, mas também para os admiradores de cinema em geral.
A começar pelo filme de abertura, ‘Bounce’, no original em inglês, que recebeu a didática tradução ‘O Quicar da Bola: Como Ela Ensinou o Mundo a Jogar’. Dirigido pelo norte-americano Jerome Thelia, o filme assume ares de tratado social e antropológico ao abordar o fascÃnio da bola desde os primatas até a era dos midiáticos esportes contemporâneos.
Egresso da publicidade, o diretor consegue estabelecer um bom nÃvel de comunicação com o público desde as primeiras sequências, mostrando como a interação com a bola faz parte da aproximação entre macacos, cães e golfinhos até chegar aos humanos.
A abordagem não se restringe a um esporte e inclui um artista performático, capaz de fazer da interação com os objetos esféricos uma forma de arte que vai do puro malabarismo até uma sofisticada composição de ritmos e sons. As diferenças culturais esportivas também são questionadas, rendendo momentos de sutil humor ao mostrar a incapacidade dos americanos de entender a nossa paixão nacional: o futebol. Na visão deles, um jogo sem graça que pode até acabar sem vencedores. Coitados.
Outro destaque é ‘Glance Up’, de Oriol MartÃnez e Enric Ribes, muito bem traduzido para ‘Olhe Para Cima’, incrÃvel documentário sobre o atleta catalão John Pahisa, de apenas um metro de altura. John é um exÃmio jogador de pingue-pongue que pratica outros esportes com desenvoltura impressionante, dentre os quais, acreditem, basquete. Os cineastas acompanham seu cotidiano numa competição, sublinhando seu admirável exemplo de superação fÃsica e social.
‘Bounce’ e ‘Glance Up’ são apenas dois exemplos da riqueza deste festival, que além do evidente apelo esportivo, com filmes sobre competições oficiais, como as OlimpÃadas de Londres, e esportes radicais, aponta para as diversas possibilidades plásticas e, sobretudo humanistas, que só o recorte cinematográfico de qualidade é capaz de proporcionar. Assim, claro, como o esporte.