Bia Willcox: A falta de confidencialidade generalizada que veio para ficar

Como todos os dois lados da vida, a tecnologia dos celulares e o costume de registrar e espalhar vieram pro bem e pro mal

Por O Dia

Rio - Vocês já pensaram em como não existe mais confidencialidade nas conversas, confissões e fofocas depois do advento do celular e, mais ainda, do WhatsApp?

O primeiro tiro na privacidade foi o celular com câmera: bastava ser visto fazendo algo inconstitucional, ilícito ou imoral para ter o registro fotográfico disso na hora. Na lata. No ato do retrato, literalmente. Trata-se da síndrome do paparazzi que acometeu a todos. Era (e ainda é) um tal de mandar fotos não autorizadas, registros indiscretos e, principalmente, flagras perigosos. Celebridades eram e são as principais vítimas coitadas: de barriguinha saliente a quilos extras, de falta de maquiagem a uma ida ao cinema, chateiam os famosos o tempo todo.

Hoje a coisa está pior ainda: grava-se conversas, segredos contados, declarações bombásticas! Todos aqui conhecem alguém que malandramente não gosta de escrever nada, prefere só falar “para não registrar”. Tolinho, já era! Meu camarada, cuidado com o que fala, xinga ou promete porque pode haver algum celular no modo gravação e aí, babau. É pior do que ter escrito ou mandado áudio, pois você fala despreocupadamente o que acha que o vento vai levar, mas ele não leva.

O top 1 da mudança dos tempos e da total e absoluta falta de confidencialidade e privacidade é o meu, o seu, o nosso WhatsApp.

Quer mostrar a um terceiro que alguém falou algo? Fotografa a conversa e manda. Quer mostrar o que a pessoa gravou para você? Encaminha o áudio. Recebeu uma foto íntima? Por que não mostrar levianamente ao grupo de melhores amigos?

Grupos em WhatsApp de alunos, funcionários, mães de alunos, todos combinando, se fortalecendo, se unindo (há paranoicos que digam conspirando haha). O que fazer quanto a isso? Nada, só aceitar os novos tempos e saber que não há mais a garantia do confidencial, do “não comenta nada” ou do “isso é entre a gente”.

Como todos os dois lados da vida, a tecnologia dos celulares e o costume de registrar e espalhar vieram pro bem e pro mal. E eu vou lhes contar uma coisa, mas peço que não espalhem: eles vieram para ficar.

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