Por karilayn.areias
Publicado 17/12/2015 19:35 | Atualizado 17/12/2015 19:40
Museu do Amanhã responde algumas questões e provoca outras sobre a humanidade e o destino do planetaDivulgação

Rio - Cai um viaduto, renasce uma orla e um edifício branco, de traços arrojados, se destaca em meio à nova paisagem da Praça Mauá. No lugar onde já foi porto para a chegada de escravos e reduto da prostituição, agora vemos o Museu do Amanhã, construído a partir dos traços do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Mas como é lá dentro? É sobre o futuro? Questionava, curiosa, uma senhora do lado de fora. Amanhã, essas e muitas outras respostas serão respondidas, com a inauguração do espaço e um viradão cultural no entorno. Mas, prepare-se, pois o seu acervo não pretende ser apenas contemplado: ele também lhe devolverá dezenas de perguntas.

Ao pisar no hall de entrada, nos deparamos com um globo gigante preso ao teto. Enquanto tentamos entender o significado das luzes que o percorrem, alguém explica se tratar das correntes marítimas e climáticas da Terra naquele exato momento. À direita, há uma escada, que nos leva ao Cosmos — esfera negra que nos apresenta imagens sobre a natureza, os seres vivos, as estrelas e as ações do homem, em um domo de 360 graus. Ao final da sessão, cinco provocações são feitas aos visitantes. “De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? E como queremos ir?”, dispara Andrea Farroco, gerente do projeto, pela Fundação Roberto Marinho, explicando que tudo o que está por vir surgiu através dessas reflexões.

“Ao atravessar nossas estações, você descobre quem você é, olha para o hoje e, só aí, parte para o amanhã”, destaca ela, entre as centenas de leds. Com 10 m x 3 m, algumas das telas exibem atualizações em tempo real sobre a população mundial, mudanças climáticas, entre outros temas. “É sempre amanhã em algum lugar. Então, o amanhã é o hoje. E o hoje é sempre o momento de tomarmos nossas ações”, reflete.

Então, o passeio é permeado por totens eletrônicos, onde o visitante pode mapear sua rota com um cartão adquirido na entrada. E, como é muita informação para marinheiros de primeira viagem, na próxima visita ao museu, é só usá-lo novamente que um novo caminho lhe será sugerido. “Assim, podemos descobrir sempre coisas novas”, emenda Andrea. Ou seja: não se desespere com a quantidade de informação captada pelos olhos ao sair do Cosmos.

Só na primeira instalação, sobre o ecossistema, vemos uma infinidade de espécies e suas relações com a Baía de Guanabara, que margeia o edifício. Logo depois, é possível conferir um verdadeiro balé de tecidos à la Pina Bausch, como descreve o curador, Luiz Alberto Oliveira, sobre a leitura poética do artista plástico americano Daniel Wurtzel, da configuração do clima no planeta. Outra opção é testar quais os impactos que você causa ao planeta com sua rotina de consumo. Basta responder algumas questões para descobrir quantas Terras seriam necessárias se os 7,3 bilhões de habitantes do planeta se comportassem da mesma maneira.

“O pessoal daqui tem ficado na média de 1,7 planetas. Estão até bonzinhos, pois a média do brasileiro é de 3,5. A dos norte-americanos fica em primeiro lugar: 16,4”, conta o curador, arregalando os olhos. Porém, além da constatação do problema, são sugeridas soluções para minimizar nossos impactos por aqui. O próprio edifício ganhou o certificado LEED (Liderança em Energia e Projeto Ambiental, em português) — principal ‘selo verde para edificações do mundo’ — ao decidir dar o exemplo desde o tipo de material utilizado em sua construção, até a utilização da água captada da Baía, que depois é devolvida ao mar filtrada. “Fica claro que há uma grande quantidade de pessoas que precisam de muito mais planeta do que têm. Tentamos alertar a todos sobre isso”, defende ele.

Andrea Farroco%2C gerente do projeto do Museu do Amanhã%2C pela Fundação Roberto MarinhoJoao Laet

Aliás, falando em passado e futuro, para Luiz a própria criação do Museu do Amanhã é um símbolo de algumas mudanças para uma cidade melhor. Tanto que a primeira exposição temporária do espaço será a videoinstalação assinada por Vik Muniz e Andrucha Waddington com imagens da derrubada do viaduto da Perimetral. “Isso aqui antes das obras era o fim do mundo, assustador. Agora será um dos centros principais da nova orla de mais de 3,5 km. É a cidade tomando posse novamente de seu litoral. Agora só falta cuidar da água da Baía de Guanabara”, alfineta ele. “Não tem jeito. Com tudo isso, vão ter que limpá-la.”

Viradão de inauguração

AMANHÃ:
Espaço Infantojuvenil
10h - Roda de Cacuriá As Três Marias
11h - Tapetes Contadores de Histórias
12h - Oficina de Hortas Verticais com Anderson Barreto
13h - Cia. do Solo
14h - Oficina Máscaras do Amanhã com coletivo Nenhuma a Menos
15h - Número circense com Paulo Hartung e Ricardo Gadelha
16h - Mosaicos Contadores de História
Praça Mauá
13h - Adilson da Vila
14h - Tá Na Rua
16h - Cia de Mystérios
Palco Principal
20h - Bossa Negra
22h - Festa Disritmia
2h - Baile Black Bom

DOMINGO
Espaço Infantojuvenil
10h - Peça ‘Rio de Janeiro a Dezembro’
11h - 100 Palavras, Espetáculo de Mímica com Josué Soares
12h - Passarinhando Brinquedos Cantados com Marcia Vieira e Michel Nascimento
13h - Stand Up Conto com o Grupo Casa de Curió
14h - Patrick O Mágico com Show de Mágicas e Ilusionismo
15h - Histórias e Canções com Silvia Castro
16h - Show de Circo com Tchesco Vilarres
16h - Alegria Músicas Infantojuvenis com Hamilton Catette
Praça Mauá
13h - Adilson da Vila
14h - Tá na Rua
16h - Fanfarra Black
Palco Principal
20h - Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB)

MUSEU DO AMANHÃ. Praça Mauá 1, Centro. Amanhã e domingo, as atividades são de graça. Após o viradão: de ter a dom, das 10h às 18h. R$ 10. Moradores do Rio pagam meia mediante apresentação de documento de identidade e residência. Grátis: para todos às terças; alunos e professores da rede pública de ensino; crianças com até 5 anos; maiores de 60; vizinhos do Museu (cadastrados); Combo Carioca – MAR + Museu do Amanhã: R$ 8 (mediante comprovante de naturalidade). Combo Turista – MAR + Museu do Amanhã: R$ 16.

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