Ricardo Cota: Estreias na trilha do Oscar 2016

A partir de hoje, chegam às telas da cidade pelo menos dois potenciais concorrentes ao prêmio de melhor filme: 'Os Oito Odiados' e 'Spotlight — Segredos Revelados'

Por O Dia

Rio - Daqui a uma semana, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulga os nomes dos candidatos ao mais cobiçado prêmio do cinema mundial: o Oscar. Daí em diante, teremos um mês e meio de especulações sobre as chances de cada um. Da imprensa especializada ao mais informal blogueiro da rede social, todos ganham ares de experts até o apagar das luzes da madrugada de 29 de fevereiro, quando termina a festa de entrega do prêmio.

Mas não é preciso esperar até lá para conferir os dados que estão rolando. A partir de hoje, chegam às telas da cidade pelo menos dois potenciais concorrentes ao prêmio de melhor filme: ‘Os Oito Odiados’, novo Quentin Tarantino, e ‘Spotlight — Segredos Revelados’, de Tom McCarthy.

‘Os Oito Odiados’ traz outra imersão de Tarantino no gênero ‘western’, o mesmo do anterior ‘Django Livre’. A novidade aqui é o tom mais acirrado de humor subjacente à violência gráfica característica do estilo do autor. É quase uma releitura de ‘Cães de Aluguel’, filme de estreia de diretor, em que sátira, incorreção política e deboche histórico embalam um ritual macabro de morte. Mais um exemplar da capacidade do cineasta de subverter o riso.

Em outra linha, ‘Spotlight — Segredos Revelados’, eleito melhor filme do ano pela crítica norte-americana, é um potente filme denúncia que se sustenta pela sobriedade narrativa. Inspirado em fatos reais, narra o esforço investigativo de um grupo de jornalistas de um periódico de Boston para desvendar uma rede de padres pedófilos.

O filme faz parte de um gênero que poderia ser qualificado de “suspense jornalístico”, que já rendeu clássicos como ‘Todos os Homens do Presidente’. Dá gosto ver o empenho de editores e redatores apurando e detalhando o material investigado sem se preocupar com o imediatismo da internet. ‘Spotlight’ se passa no limiar da eclosão da rede social, em fins dos anos 90, e não esconde um tom nostálgico da prática do jornalismo. Inspira uma reflexão bem mais profunda do que os eventuais prêmios que a Academia por ventura lhe reservar.

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