Por karilayn.areias

Rio - Sábado de manhã. Desço a ladeira para tomar um café na padaria. A feira da General Glicério já é suficiente para acabar com as vagas dos arredores. Mas ainda tinha a concentração de um bloco carnavalesco. Conclusão, carros estacionados em cima das calçadas, nas curvas, em portas de garagens e outras barbaridades. A prefeitura cumpria o seu papel multando, rebocando. Mas a conclusão que se chega é a de que muita gente ainda enche a cara e sai dirigindo por aí, sabendo que raramente acontece uma Lei Seca à luz do dia.

Dito isso, e acrescentando que sou totalmente favorável às operações que salvam vidas, não posso deixar de contar uma história que aconteceu com um amigo, o Nick, há muitos anos, quando cometíamos loucuras ao volante, coisas impensáveis hoje.

Saímos de alguma cervejada e rumamos para o Bip Bip. Ele tinha um Maverick velho, que havia comprado uns 15 anos antes com o dinheiro ganho na loteria. Pois ele, sem a menor noção do que estava fazendo, estacionou na calçada da Nossa Senhora de Copacabana. Roda de samba, mais cerveja e até um mergulho no Posto Seis numa linda noite de verão rolou. Lá pelas tantas não aguentei a pressão e deixei o amigo lá sob o olhar atento do Alfredinho, o dono do boteco.

No dia seguinte, na redação em que trabalhava, toca o telefone e era ele, o Nick:

— Janjão, a gente foi de carro para o Bip?

— Ué, claro.

— Engraçado, eu não sei onde está o meu carro. Bem vou tentar entender o que aconteceu. Você lembra onde eu parei?

— Claro que não.

Ele desliga o telefone. Passa um tempo, me liga o Alfredo:

— Janjão, eu não sei o que fazer. O Nick está desesperado, já rodei Copacabana inteira, falei com todos os porteiros amigos, e ninguém viu o carro dele. Você não lembra mesmo onde ele deixou aquela carroça?

E eu, no meio do fechamento do jornal, já impaciente, tendo que ouvir esse papo de maluco:

— Não, não tenho a menor ideia, devem ter rebocado o carro.

Conclusão, horas depois me liga o Alfredo novamente, com sua voz rouca e rabugenta.

“Você não vai acreditar. Eu já tinha desistido, estava ligando para a polícia, quando um menino veio me avisar que tinham encontrado o carro. Estava na Nossa Senhora de Copacabana, em cima de uma calçada. De manhã, tinham que fazer uma obra. Como estavam com pressa, a solução foi deixar o carro também dentro dos tapumes. Vocês são loucos”.
Conclusão, vamos brincar o Carnaval sem carro. Nem sempre histórias de bêbados terminam bem.

Você pode gostar