Exposição de Severino Silva, fotógrafo do DIA, traz romarias, festas e seca

‘Fé, Luz e Sombras’ estreou dia 15 no Museu Luiz Gonzaga (Feira de São Cristóvão) e prossegue até 28 de fevereiro

Por O Dia

Rio - Com 17 anos de redação de O DIA, o fotógrafo Severino Silva tem se tornado mais conhecido por sua produção em reportagem policial. E mostra uma face bem diferente — documentada em reportagens pelo próprio jornal — na exposição ‘Fé, Luz e Sombras’, que estreou dia 15 no Museu Luiz Gonzaga (Feira de São Cristóvão) e prossegue até 28 de fevereiro.

O sertanejo Dadá e a seca%3A do Açude do Caboclo restou apenas terra%2C em imagem ganhadora de prêmioSeverino Silva

As mais de 30 imagens, escolhidas pela curadora (e também fotógrafa) Ana Claudia Fernandes exibem incursões pelo Nordeste brasileiro, balizadas por temas como fé e sobrevivência. Romeiros com pés maltratados, pescadores de Canudos (BA) e até o drama da seca dividem espaço com igrejas, terreiros de candomblé e festas de rua.

“A estreia da exposição aconteceu justamente na hora da Ave Maria (18h) e quando todo mundo chegou, pus a ‘Ave Maria’ com Jorge Aragão. Todos se emocionaram”, lembra Severino, nascido numa cidadezinha chamada Pirpirituba (PB), que não visita há 30 anos. “A ideia da exposição se conecta bastante com a minha infância e com matar as saudades do Nordeste. Pretendo até voltar lá em Pirpirituba para expor.”

Romeira em Canindé (CE) fazendo oração%3A imagens e poucas palavrasSeverino Silva

Entre as imagens que mais emocionaram Severino está a de uma romeira rezando no santuário de Canindé (CE). O fotógrafo nem pôde trocar muitas palavras com ela para não atrapalhar a oração. “Ela fazia parte de um grupo que prosseguiria para Juazeiro do Norte (CE)”, recorda. O drama de Dadá, morador de uma Assaré (CE) castigada pela seca, foi também clicado por ele para reportagem de Alexandre Medeiros publicada por O DIA em 2013 e ganhadora do Prêmio Tim Lopes. Dadá posou no que havia se transformado o Açude do Caboclo, totalmente seco.

“Tem muitos nordestinos que vão à exposição, veem as fotos e dizem: ‘Rapaz, eu passei por isso!’”, diz Severino, que costuma estar lá acompanhando a mostra sempre que pode. E recebe muitos fotógrafos novos. “É muito bom ter contato com quem está começando. Eu também estou sempre aprendendo, né?”

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