Por karilayn.areias
Rio - O Carnaval deste ano guardou momentos dignos do Oscar. A começar pelo espetáculo proporcionado pelas grandes escolas tradicionais, como Salgueiro, Mangueira e Portela, que realizaram desfiles emocionantes. A cada ano, as escolas capricham cada vez mais no desenvolvimento narrativo dos enredos, com efeitos, cenários e atuações literalmente cinematográficos.
Mas o cinema esteve também na arquibancada, com a presença do cineasta norte-americano Tim Burton. Fã de Zé do Caixão, Burton maravilhou-se com o que viu e com certeza encontrou proximidade entre a alegoria de seus filmes (‘Edward Mãos de Tesoura’, ‘Os Fantasmas se Divertem’) e a festa na Avenida.
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Como folião bissexto, fui atraído pelo Grupo Especial para desfilar na Escola Inocentes de Belford Roxo, a terceira a passar pela Avenida na noite de sábado. A convite do homenageado, encarei o asfalto, o calor e o peso da fantasia da ala Quilombo para prestigiar Cacá Diegues, com o enredo ‘Retratos do Brasil em Cena’. Uma justíssima homenagem a um diretor que nunca ocultou o fascínio pela festa em filmes como ‘Quando o Carnaval Chegar’ e ‘Orfeu’.
De minha parte, desfilara anteriormente com leveza bem maior há 22 anos, quando a Mangueira homenageou Gal, Gil, Caetano e Bethânia. A emoção permanece intacta, embora o fôlego acuse o pesar da idade. Visto de dentro da escola, o desfile acontece como um plano único, em que nossos olhos funcionam como uma câmera descontrolada, que capta de forma anárquica cores, rostos, objetos, corpos, instrumentos... No asfalto, a tomada é única e, por isso mesmo, inesquecível.