Letícia Spiller tenta ficar feia na peça ‘Dorotéia’

Produção marca também os 60 anos de carreira de Rosamaria Murtinho

Por O Dia

Letícia Spiller%3A 'A grande mensagem é que%2C um dia%2C sua beleza vai ser destruída. Não importa o que você faça'Divulgação

Rio - Linda e loura, Letícia Spiller não teme o espelho. Mas, aos 42 anos, a atriz sabe que o fim da beleza é inevitável. “Não dura para sempre, acaba”, assente. Na montagem de ‘Dorotéia’, dirigida por Jorge Farjalla e que estreia sábado no Teatro Tom Jobim, ela leva ao palco um texto de Nelson Rodrigues que aborda o mito da beleza, encarnando uma bela prostituta arrependida, a Dorotéia, que aceita ficar feia como as três primas para conseguir abrigo. Uma delas é Dona Flávia, uma mulher horrorosa e amargurada interpretada por Rosamaria Murtinho, que comemora seus 60 anos de carreira com a peça.

“A grande mensagem é que, um dia, sua beleza vai ser destruída. Não importa o que você faça, é uma questão de tempo. O texto fala de amor, e onde não há amor acontece a tragédia”, diz Letícia, que encena pela primeira vez uma obra do dramaturgo.

Numa época em que as mulheres recorrem a procedimentos cirúrgicos e estéticos para ficarem mais bonitas e retardarem o envelhecimento, Letícia frisa que mais importante do que a aparência é a saúde: “Não adianta estar bem por fora se você estiver mal por dentro. Eu busco ficar bem, visando a saúde, pratico exercícios, faço ioga”.

Ostentando um corpão, a atriz já colocou silicone nos seios e retirou gordura embaixo dos olhos. Mas defende que tudo seja feito com equilíbrio, sem exageros. “Lido bem com a beleza, com meu corpo. Fiz poucos procedimentos estéticos, todos muito sutis. Não cheguei a fazer uma plástica, lifting, mas não sou contra, não, desde que seja bem feito. Mas tem uma hora que não dá mais jeito, a gente tem que assumir nossas rugas”, diz.

Embora o cartaz da peça sugira nudez em cena, Letícia faz suspense: “Ainda estamos decidindo sobre isso. Se for o caso, ficar nua não é um problema, mas depende da conveniência. Nada que seja gratuito”. Na TV, a atriz acha mais complicado tirar a roupa e ser vista por milhões de espectadores. “A repercussão é muito grande”.

Se Letícia tem que ficar feia, Rosamaria Murtinho, 80 anos, também precisa desconstruir sua imagem para viver Dona Flávia. Acostumada a interpretar mulheres ricas e elegantes, a atriz aparece de cabeleira branca e cheia de rugas, sem nenhum glamour. “Queria uma personagem que me desconstruísse completamente. Ela é a prima mais velha, muito feia, não tem quadris, suas mãos são como garras”, adianta.

Letícia Spiller e Rosamaria MurtinhoDivulgação

Escrita por Nelson Rodrigues em 1949, considerada uma das peças míticas do dramaturgo, ‘Dorotéia’ narra a história de uma prostituta que abandona o ofício e vai morar na casa das primas viúvas — Dona Flávia, Maura (Alexia Deschamps) e Carmelita (Jaqueline Farias) — como forma de castigo após a morte do filho. Em troca do abrigo, a protagonista aceita se tornar tão feia e puritana como as primas. “São mulheres que vivem trancadas há 20 anos numa casa, onde não entram homens. É a prima mais velha quem ajuda Dorotéia a se enfeiar. É uma peça sensual, porque Dorotéia é linda e as primas ainda têm sensualidade, mas são reprimidas”, conta Rosamaria. 


Serviço

Teatro Tom Jobim. Rua Jardim Botânico, 1008 - Jardim Botânico, dentro do Parque Jardim Botânico, Tel:  2274-7012). Estreia dia 20, sábado. De quinta a sábado, às 21h; e domingo, às 20h. Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25 00 (meia), 50% de desconto para colaboradores Petrobras. Vendas na bilheteria do teatro e no www.ingressorapido.com.br

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