'Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos' estreia hoje no Rio

Miguel Falabella, diretor da peça, avisa: 'É um espetáculo feito para elas'

Por karilayn.areias

Marisa Orth e Stella Miranda protagonizam musical inspirado em filme de AlmodóvarDivulgação

Rio - O musical ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’, inspirado no filme do espanhol Pedro Almodóvar, chega ao Rio e estreia hoje, no teatro Oi Casa Grande, para deleite de um público específico. “O espetáculo é feito para elas”, diz o diretor e responsável pela versão brasileira Miguel Falabella, que encontrou dificuldade na tradução do texto. “A língua inglesa é muito sintética e o português é bem mais eloquente e com excesso de latinidade”, diz. O texto original é de Jeffrey Lane e as letras e músicas, de David Yazbek. O musical diz respeito ao universo latino da mulher tupiniquim. “A mulher brasileira toma Valium e sai à noite atrás de um homem. A americana não faz isso”, conta Falabella.

O musical, segundo o diretor, é um dos últimos, senão o último que vai fazer este ano, e não por vontade dele. “É lamentável e triste pensar que esse país chegou ao nível de um Paquistão da vida, por crises absurdas”, detona Falabella, que parece também estar com os nervos à flor da pele, especialmente quando fala da estagnação econômica no Brasil. “Se você perguntar pra mim, eu te direi que não tenho mais trabalho este ano”, diz Falabella, que escreve e atua no humorístico televisivo ‘Pé na Cova’ e participa do ‘Vídeo Show’.

O musical conta a história de três mulheres com problemas amorosos que se cruzam e revelam toda a complexidade dos relacionamentos da vida feminina. A protagonista Marisa Orth vive a tresloucada Peppa. “Ela é meio trapalhona, coitada, mas tem um jeito de amar desesperado. Quando ela está chorando, o público está rindo, e quando está rindo, a plateia provavelmente estará chorando”, diverte-se Marisa. Nos palcos, destaque também para Stella Miranda (Lucia). Como contraponto das mulheres está, entre outros, o galã conquistador Juan Alba (Ivan). “Ele não está à beira de um ataque de nervos. É um conquistador e não liga muito para o sentimento das mulheres”, admite Juan.

Marisa Orth (sentada) em cena do espetáculoDivulgação

A peça se passa na Espanha em 1987, mas poderia se passar no Brasil nos dias de hoje. É contemporânea e aborda a história de três mulheres que sofrem com a ausência de um mesmo homem: Lucia (Stella Miranda), uma dona de casa, a atriz Peppa e a advogada Paulina (Erika Ribas). Marisa Orth aproveita para falar da situação das mulheres às vésperas do Dia Internacional da Mulher, terça-feira: “Evoluímos profissionalmente, mas afetivamente ainda acho que não demos passos tão grandes”.

Marisa interpreta Peppa%2C ao lado do ator Daniel TorresDivulgação

O musical tem números expressivos: 150 itens de figurino, 19 atores, um táxi em tamanho real em cena, 336 horas de ensaio, 70 pessoas empregadas. Tudo num palco giratório e com mapping (projeção). No espetáculo, os atores se movimentam no palco em coreografias criadas pela diretora de movimento Fernanda Chamma. “Tudo dança em conjunto. Com o Almodóvar tudo pode. Com o Miguel, então, vira loucura”, exagera ela. Na parte musical, André Cortada adaptou a trilha sonora de David Yasbek. “Temos canções bem latinas, com influência de salsa, mambo e até mesmo um pouco de música brega espanhola. Meu trabalho é amarrar isso tudo de forma coerente. Temos músicas das mais lentas até as mais frenéticas”, explica André. Para Miguel Falabella o espetáculo tem todos os ingredientes para agradar o público, que ele trata de forma peculiar. “São todos um bando de desgraçados”, brinca. 

Reportagem Eduardo Minc

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