Ricardo Cota: Carlos Imperial, O Rei da Pilantragem

Para resumir essa trajetória, os diretores Renato Terra e Ricardo Calil fizeram uma pesquisa parruda cujo resultado chega hoje às telas com a estreia de ‘Eu Sou Carlos Imperial’

Por O Dia

Rio - Poucos personagens que passaram pela história da comunicação brasileira fizeram tanto barulho quanto Carlos Eduardo da Corte Imperial (1935-1992), o Carlos Imperial. E para resumir essa trajetória, os diretores Renato Terra e Ricardo Calil, os mesmos de ‘Uma Noite em 1967’, sobre os festivais da canção, fizeram uma pesquisa parruda cujo resultado chega hoje às telas com a estreia de ‘Eu Sou Carlos Imperial’.

Marqueteiro de si mesmo muito antes do conceito existir, Imperial foi o rei da autopromoção. Era uma mosca na sopa da vida cultural do país e na de muita gente: atores, cantores, produtores e políticos, que foram alvo de sua língua ferina. Foi compositor, intérprete, cineasta, ator, colunista, produtor, apresentador de programas de auditório e vereador pela cidade do Rio de Janeiro.

Promoveu Roberto, Erasmo, Tony Tornado e Dixon Savanah, ou melhor Paulo Silvino, que seguiu seu conselho para largar a vida de band leader e se tornar um dos maiores humoristas do país. Inspirados pelo livro ‘Dez Nota Dez!’, do pesquisador Denilson Monteiro, Renato e Ricardo construíram, com o apoio da sólida pesquisa de imagem de Antônio Venâncio, o mosaico de uma vida marcada pelo exibicionismo, pilantragem, machismo declarado e muita Coca-Cola.

O documentário assume o escracho, deixando no espectador um riso desconfiado no canto da boca. Imperial seduz mas também assusta, afinal tê-lo como amigo era um risco constante. Com ele era ame-o ou deixe-o. O resultado é um filme que retrata uma época em que o cinismo e o deboche ainda não haviam sido embarreirados pela correção política. É possível divertir-se, ou indignar-se. Só não dá para ficar indiferente. Ou seja, mais Imperial, impossível.

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