MC João faz sucesso com funk que já tem mais de 94 milhões de visualizações

Sucesso entre os jovens, 'Baile de Favela', já alcançou expressiva marca no Youtube e virou até gíria

Por O Dia

Rio - Você é “baile de favela?”. O funkeiro paulistano MC João é. E o nome de seu principal sucesso, ‘Baile de Favela’ (que já passou de 94 milhões de visualizações no YouTube) virou até gíria para definir pessoa legal, descolada e bacana. O Cordão da Bola Preta, nesta quinta, também merece a denominação, já que a casa abre para João cantar seu funk, numa noite que tem também DJs como Baré e Mouchoque (Ritmos de Favela) e Flash (Trap In/Funk In).

MC João faz sucesso com o hit 'Baile de Favela'Divulgação

O “baile” do MC João faz todo mundo dançar com letra pornográfica e vem sendo executado por algumas rádios sem o corte de versos como “mexeu com o R7 (DJ paulistano) vai voltar com a x... ardendo” e “e os menor preparado pra f... com a x... delas”. Ainda assim uma versão mais leve da letra, que substitui alguns trechos, já veio à tona. Um portal incluiu a música numa lista de canções que reproduziriam “machismo e violência contra a mulher”.

“Se um show meu tem 7 mil pessoas, 4 mil são mulheres. Poucas pessoas se incomodam com isso. Se for por esse aspecto, Legião Urbana era um grupo machista, já que cantavam ‘comia todas as menininhas da cidade/de tanto brincar de médico aos 12 era professor’ (em ‘Faroeste Caboclo’). Essa liberdade de expressão é normal no funk. Tem hora que a gente extravasa. Nem tudo é falado na intenção de alguma coisa”, conta o funkeiro da comunidade de Jova Rural, na Zona Norte paulistana, perto do Jaçanã cantado por Adoniran Barbosa em ‘Trem das Onze’. “Hoje vejo gente falando que tem orgulho de morar na Jova porque eu nasci lá. Antes era: ‘Ih, mas você mora na Jova?’”.

João Israel Simeão, 24 anos, lembra de ter composto ‘Baile de Favela’ na pressão, no estúdio do produtor de funk R7, citado na letra. “Fui gravar um funk chamado ‘A Culpa é da Cachaça’ no estúdio dele, que é um dos maiores produtores do funk. Era um sonho meu gravar com ele. E ele é uma pessoa diretona, só grava o que gosta. Ele falou: ‘Tá uma bosta essa música’, e já dei uma travada”, recorda. João deixou de lado o funk que havia levado ao estúdio e começou a fazer um improviso com os nomes de vários bailes paulistas, incluindo versos como o “quer desafiar, não tô entendendo”. R7 curtiu.

MC João faz sucesso com o hit 'Baile de Favela'Divulgação

“Lembrei dos vários lugares em que eu colava: Eliza Maria, Marconi, Helipa (de Heliópolis). Foram os bailes de rua que eu frequentei nesses anos todos”, diz. A tal “travada” que lhe pegou pelo contrapé no estúdio de R7 é uma antiga companheira do funkeiro. No começo, aos 17 anos, driblava a timidez. “Eu rimava e não tinha coragem de virar MC. Um dia, um amigo viu que eu estava com vergonha e me empurrou pro meio da roda. Aí tive que rimar”, conta. O tal amigo, por sinal, é outro funkeiro conhecido de São Paulo, Menor da VG, de hits como ‘Na Perereca’ e ‘Ela Quer Sentar’. “A gente fazia música juntos na sala de aula. Tudo conspirou”.

Dono de um nome artístico bastante simples, o funkeiro contratado da produtora GR6 diz que já encontrou um homônimo. “Tem um MC João lá da Zona Sul. Entrei em contato com ele e entramos num acordo. Vale quem tem mais tempo de carreira, né?”, conta João, que está namorando e não vive o que canta em ‘Baile de Favela’. “Pinta assédio, mas hoje é focar no trampo, no namoro e na família. E sucesso mesmo é ficar vivo, ajudar minha mãe”, conta ele, que chegou a sustentar a família sozinho com um magro salário de pouco mais de R$ 600, quando trabalhava como office boy. Hoje, ele cobra em média R$ 12 mil por show e diz estar feliz de cantar no Bola Preta, point do Carnaval carioca. “Fui criado lá na escola de samba Camisa Verde e Branco (de São Paulo), adoro Carnaval”.

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