De volta aos anos 90 com Marcelo D2 e Nação Zumbi no Circo Voador

Shows no Circo Voador resgatam a memória de fãs dos grupos

Por O Dia

Rio - Em 1996, a internet não havia virado mania e redes sociais não existiam nem em sonho. Mas a distância não separava Planet Hemp e Chico Science & Nação Zumbi. Lançando o segundo disco, ‘Afrociberdelia’, os recifenses da Nação Zumbi (ainda com Chico, que morreria em 1997 num acidente de automóvel) viraram cidadãos cariocas.

Mudaram-se do Recife para um apartamento em Santa Teresa, viravam noites na Lapa e conviviam com a turma da chamada ‘hemp family’, do Planet, O Rappa, Squaws e outros grupos. O Circo Voador traz a vibe da época com o líder do Planet Hemp Marcelo D2, hoje, lançando o DVD ‘Nada Pode Me Parar — Ao Vivo’. E amanhã tem Nação Zumbi tocando o repertório de ‘Afrociberdelia’ pela primeira vez no Rio, comemorando 20 anos do disco e os 50 que Chico faria em 13 de março.

“Íamos bastante no Circo Voador, numa época em que a infraestrutura nem era essa de hoje. Não tinha nem essa lona enorme. Lembro de um show em que tocamos com eles, O Rappa, Pato Fu. Numa das primeiras vezes em que fomos lá, o Marcelo Yuka escrevia para um fanzine e foi entrevistar a gente. O Circo nessa época pegava fogo”, brinca Jorge Du Peixe, vocalista do grupo.

Planet Hemp se apresenta no Circo Voador Divulgação

D2, que participou de ‘Afrociberdelia’ fazendo vocais em ‘Macô’, adorava a companhia do grupo. E a música da Nação também. “Era muito legal saber que existia gente no Recife curtindo grupos underground de São Paulo. A mistura de rock com música brasileira deles definiu o rock dos anos 90. A gente andava muito juntos, ia muito na Lapa e no próprio Circo Voador. Lembro de ter ido a um show deles no Rio naquela época, acho que num boteco em Ipanema”, conta D2, citando que a lona da Lapa faz parte da sua história, com vários shows assistidos ali, além dos primeiros do Planet Hemp dados por lá.

O show de ‘Afrociberdelia’ já foi testado em Salvador e dura uma hora e quinze, com praticamente todo o disco na sequência, menos uma ou outra vinheta. “Tem coisas do disco que a gente nunca tocou. Ou tocamos bem pouco. Na letra de ‘Sangue de Bairro’ tem uma parte em que são citados nomes de cangaceiros, e a gente parou de tocar porque tinha uma métrica muito rápida.

O Chico sempre dizia que era muito corrido”, conta Jorge. Raridades como ‘O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu’, ‘Corpo de Lama’ e até o instrumental ‘Baião Ambiental Dub’ estarão no repertório, além do hit ‘Maracatu Atômico’, regravação da música de Jorge Mautner e Nelson Jacobina e que representou um ponto de discordância entre o grupo e a gravadora Sony na época. “Com o disco pronto, vimos que haviam remixes da música como bônus. Acabou sendo um susto”.

Nação Zumbi também se apresenta no Circo Viador Divulgação / Tom Cabral

D2 acaba de lançar um DVD retrospectivo de 20 anos de carreira, ‘Nada Pode Me Parar — Ao Vivo’, com vários sucessos solo. Mas afirma que mesmo os shows de lançamento do disco não têm seguido a regra de repetir o setlist do DVD.

“Ele já foi gravado há bastante tempo (em 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2014, em São Paulo) e de lá para cá meu show já mudou bastante. Aliás, muda toda hora. Meu show de sexta não é igual ao de sábado!”, brinca o rapper.

Por sinal, o show ainda vai ter uma reunião do Planet Hemp, em algum momento. “Queria botar todo mundo no palco. Estou tentando confirmar ainda o Bernardo (BNegão). Não sei ainda o que vamos cantar”, conta D2. O rapper tem viagem marcada para amanhã e não vai poder ir ao show da Nação Zumbi. “Vamos ver se rola alguma mudança na agenda. Se eu estiver aqui, vou lá cantar ‘Macô’ com eles”, promete. 

Chico na Telona

Imagem e som: amanhã, antes do show da Nação Zumbi, a história do mangue beat e de seu maior artífice será exibida no Circo Voador. Dirigido por José Eduardo Miglioli, o documentário ‘Chico Science: Um Caranguejo Elétrico’ conta a história de Francisco de Assis França (nome verdadeiro do astro Science) por intermédio de entrevistas com amigos, familiares, artistas e imagens raríssimas de arquivo. O doc, produzido por RTV, Globo Filmes e TV Globo Nordeste, tinha sido idealizado pelo jornalista Ricardo Carvalho com Chico ainda vivo, em 1995, mas só foi materializado agora. Graças à iniciativa de Ricardo na época, o filme tem imagens do show de Chico e Nação Zumbi no Festival Summer Stage, em Nova York, naquele ano. “O D2 até me mandou uma mensagem dizendo que viu o documentário e gostou bastante”, diz Jorge Du Peixe.

Programe-se

MARCELO D2
Hoje, às 22h. R$ 120 (estudantes, maiores de 65 anos e pessoas com um quilo de alimento não-perecível pagam meia-entrada). 18 anos.

NAÇÃO ZUMBI
Amanhã, às 22h. R$ 120 (estudantes, maiores de 65 anos e pessoas com um quilo de alimento não-perecível pagam meia-entrada). 18 anos. 

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