Websérie mostra o crescimento de mulheres em rodas de samba

Projeto 'Jovelinas: Mulheres Suburbanas no Samba' reúne minidocumentários de 12 minutos

Por O Dia

Rio - A multiplicação de rodas de samba que anima os bairros das zonas Norte, Oeste e Baixada Fluminense criou tanto um novo mercado para músicos e cantores, quanto uma opção de entretenimento de qualidade para os moradores dessas áreas. Por trás da batucada de alto nível, com artistas acostumados aos palcos e estúdios da Zona Sul, há um elemento novo: as mulheres.

Tidas como ambiente ainda um tanto machista, onde elas sempre tiveram participação limitada, as rodas agora têm toque feminino desde a produção até à interpretação das músicas e o manejo dos instrumentos. Para documentar essa nova realidade, nasceu o projeto ‘Jovelinas: Mulheres Suburbanas no Samba’, uma websérie que vai mostrar a participação delas em minidocumentários de 12 minutos.

No título, uma homenagem a Jovelina Pérola Negra, sambista de voz potente e autora de sucessos como ‘Menina você bebeu’, ‘Feirinha da Pavuna’ e ‘Sorriso de banjo’.

Simone Costa canta ao lado de um dos maiores mestres do surdo%2C Miúdo%2C na roda ‘Mafuá no Quintal’Divulgação

"A ideia nasceu do desejo de mostrar a potência dessas mulheres que demarcam seu espaço num ambiente tão machista”, define Luiza Drable, uma das diretoras da websérie. O primeiro episódio, que foi publicado na rede no fim de março, traça um perfil de Simone Costa, que canta, toca tamborim e ajuda a produzir com outros músicos a roda de samba ‘Mafuá no Quintal’, que acontece no bairro da Abolição, todo segundo sábado do mês.

Simone conta que os homens do samba não estão acostumados a ver mulheres atuantes, ganhando o mesmo cachê que eles. Para ela, a exigência quanto às sambistas é mais rigorosa. “Eu percebo que a cobrança é maior. Uma mulher não pode só cantar bem, ela tem que cantar bem à beça, falar pouco, não opinar muito”, desabafa ela, no minidocumentário. Simone acredita, porém, que essa resistëncia mudará com o tempo, e as mulheres se farão respeitar.

Na sequência, ‘Jovelinas: Mulheres Suburbanas no Samba’ vai mostrar a atuação feminina em outras espaços da batucada. “Queremos retratar mulheres que frequentam, que produzem, que tocam, que trabalham na cozinha de uma roda de samba”, explica Camila Pizzolotto, outra diretora do projeto. “O objetivo é revelar como pode ser diversificada a atuação delas, como é diverso o protagonismo femino nas rodas e como isso vem tomando corpo, principalmente nessas batucadas mais novas.”

Produzida por uma equipe de cinco pessoas, a websérie pode ser vista no YouTube e terá ao todo dez capítulos. O segundo episódio deverá ser lançado na rede no início de maio.

?Inspiração na Pérola Negra

A sambista de voz forte e anasalada, Jovelina Pérola Negra nasceu em Botafogo mas radicou-se em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Pastora do Império serrano, ela apareceu para o grande público em 1985, no disco ‘Raça Brasileira’. Admiradora de Clmenetina de Jesus, mas dona de um estilo mais alegre e vigoroso, ela gravou cinco álbuns e conquistou Disco de Platina pela grade vendagem.

“Jovelina é símbolo da potência da mulher suburbana, que canta as vontades do subúrbio”, define Camila Pizzolotto, para explicar o uso do nome da sambista no título da websérie. Na equipe fixa de ‘Jovelina: Mulheres Suburbanas no Samba’, além de Camila e Luiza, estão Diogo Santos, Leandro Vieira e Fernanda Quinteiros.

O projeto terá como fecho um perfil de Cassiana, filha de Jovelina, que também é cantora e tem presença e voz marcantes como a mãe.

Últimas de Diversão