Bia Willcox: Tolerância

Tolerar parece algo menor, condescendente, mas não é! É ler e ouvir com paciência, é reconhecer o direito do outro de ter opinião muitas vezes diametralmente oposta à sua

Por O Dia

Rio - Quando lerem esta coluna que escrevo, já teremos passado pelo domingo e, seja qual for o resultado da votação, os ânimos estarão exaltados, não menos que antes. É preciso mais que nunca tolerar. Não julgar, não condenar, aceitar o pensamento que é diferente do seu e a princípio continuará a ser.

Tolerar parece algo menor, condescendente, mas não é! É ler e ouvir com paciência, é reconhecer o direito do outro de ter opinião muitas vezes diametralmente oposta à sua.

Tolerância não é disfarce para tentar convencer o outro. É aceitar que talvez o outro jamais mude e mesmo assim coexistir pacificamente. Como nada na vida é só ruim ou só bom (e o maniqueísmo é perigoso) , ter tolerância é buscar consenso possível e girar a chave de ignição. É concessão — ceder para andar pra frente. O não ceder tem aparência de vitorioso, mas é um coletivo de perdas inimensuráveis. O outro só vai se abrir para te escutar se você também estiver aberto a ele. Quem faz primeiro é, sem dúvida, o melhor.

Se fosse fácil conviver ou se fosse fácil unificar o pensamento, a sociedade estaria diferente e não necessariamente melhor. Muito pelo contrário, estaria perigosamente pior.

Não há resultado mais sublime de uma boa educação do que a tolerância. Ela é fruto de melhor aprendizado. Tolerância é, segundo Victor Hugo, a melhor de todas as religiões.

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