Por thiago.antunes

Rio - O filme ‘Em Nome da Lei’ estreia em circuito nacional hoje e conta a história do traficante Gomez (Chico Diaz) e toda a sua organização mafiosa, prestes a ser desbaratada por Vitor (Mateus Solano). O jovem juiz da cidade grande chega a uma pequena região de Fronteiras (cidade fictícia entre Brasil e Paraguai) disposto a desmontar o esquema de contrabando e o tráfico de drogas que impera por lá.

Ator vive o traficante GomezDivulgação

Vitor conta com a colaboração da jovem procuradora da Justiça Alice (Paolla Oliveira) e da equipe do policial federal Elton (Eduardo Galvão), mas terá que arriscar a própria vida para pôr fim a uma organização que opera há décadas na região com a conivência do poder público.

“O Gomez não é baseado em ninguém em particular. A inspiração é mais abrangente: o universo dos grandes ‘capos’ do tráfico de cocaína. Sergio (Rezende, diretor) me apresentou um personagem que poderia ter um corte arquetípico, como um grande bicheiro ou um mafioso italiano, com fortes laços com a família e noções de fidelidade, que encontramos em livros, filmes e séries de TV”, enfatiza Chico, que viveu Belmiro recentemente, na primeira fase da novela ‘Velho Chico’.

“Minha preocupação maior era dar peso ao Gomez, porque sou mais baixo e mais leve dos que os atores que costumam fazer esse tipo. Tinha que adquirir uma densidade de movimento e de voz. E é isso que a gente vai aprendendo com o cinema, a se movimentar dentro do quadro”, acrescenta, sobre seu laboratório. 

Como defensor de seu personagem, Chico tenta compreender as motivações do vilão: “Li recentemente uma entrevista do traficante mexicano ‘El Chapo’ Guzmán. A argumentação dele é próxima a de Gomez:

‘De onde vim não tinha nada, aprendi a sobreviver, me impus’. Ele é produto de uma geração quase espontânea, fruto da ausência do Estado, que não oferece proteção e educação a seus cidadãos”. Mesmo na pele de um criminoso, Chico tenta humanizar seu personagem. “Mas ele também é um pai de família e bom comerciante. Ele é cria de uma região de fronteira em que, historicamente, esses procedimentos ilegais eram ignorados pelo poder público, um problema só observado há pouco mais de dez anos. Antes era invisível a todos”, analisa.

Chico Diaz teve que entender o mundo do tráfico para viver um criminosono filme 'Em Nome da Lei'%2C que estreia hoje nos cinemasDivulgação

‘Em Nome da Lei’ é o terceiro filme que Chico Diaz faz sob a batuta de Sergio Rezende, um diretor com o qual o ator gosta de trabalhar. “Acho que foi um belo reencontro, porque o Sergio pensou em mim para um ótimo personagem. Na verdade, foi o Sergio e a Mariza Leão que me apresentaram ao mundo do cinema, em ‘O Sonho Não Acabou’ (1982), meu primeiro filme. Depois, fizemos juntos ‘O Homem da Capa Preta’ (1986)”, relembra o ator, fazendo questão de dizer que existe um sentimento de gratidão muito grande. “Por ele ter aberto esse caminho para mim. Foi interessante ver como o Sergio e a Mariza amadureceram ao longo desses anos e, ao mesmo tempo, o quanto permaneceram os mesmos também, em termos de camaradagem e no cuidado com os detalhes, as pequenas coisas.”

Segundo o diretor, fronteira inspira filmes e documentários

O longa joga luz na discussão sobre ética e moral em todas as esferas da sociedade brasileira e a corrupção que mina as instituições do país. “Todo mundo participa desse negócio ilegal, comprando material contrabandeado ou pirateado em feiras e camelôs. A gente vai à Praia em Ipanema e encontra gente vendendo óculos de sol falsificados”, compara Sergio Rezende, diretor também de ‘Salve Geral’ (2009), sobre os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo, que ocorreram em 2006.

O diretor Sergio Rezende durante as filmagens. Acima%2C Chico DiazDivulgação

“Eu me interesso mais pelo outro, pela sociedade, do que por mim ou minha história. Um filme pessoal, na minha opinião, não é falar do meu pai ou da minha família, mas sobre o meu mundo”, acrescenta.
Para completar, Rezende diz que as fronteiras do país, paisagens pouco exploradas pelo cinema nacional, são componentes importantes em sua produção.

“A fronteira é um tema contemporâneo, discutido no mundo inteiro, que inspira diversos filmes e documentários. Nos Estados Unidos e no México, ela levanta discussões sobre imigração e o tráfico de drogas. Em décadas passadas, cidades americanas como Miami cresceram e prosperaram com o dinheiro da cocaína”, lembra o diretor, que ganha apoio de Mariza Leão, produtora do filme: “A fronteira sempre inspirou o cinema americano, de Orson Welles, com ‘A Marca da Maldade’, aos filmes de faroeste”.

Reportagem de Eduardo Minc

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