Rodas de samba animam o bar Bip Bip em Copacabana

'O Bip Bip é o ambulatório da alma, é o porto seguro daqueles que em algum momento se constrangem com o que veem nas TVs e nos jornais'

Por O Dia

Rio - Em tempos de crise ética e moral no país, a coluna de hoje tem a obrigação de lembrar da melhor birosca do Rio de Janeiro, o imensurável Bip Bip, inaugurado no abjeto 13 de dezembro de 1968, dia do AI-5, ápice do odioso e repugnante regime militar.

As rodas de samba no Bip Bip são a marca registrada do botecoReprodução Internet

O Bip não tem o melhor chope da cidade. Aliás, nem tem chope. Tem apenas cerveja em lata que o freguês apanha na geladeira, e uma singela mas honesta prateleira de cachaças. O Bip também não tem a melhor cozinha da cidade, nem os melhores petiscos. Aliás, no Bip não tem cozinha, nem petiscos. Tem, quando muito, um pedaço de queijo ou de salaminho servido generosamente.

Mas o que este bar tem de tão bom? Tudo o que se procura num bar de verdade. O Bip Bip é o ambulatório da alma, é o porto seguro daqueles que em algum momento se constrangem com o que veem nas TVs e nos jornais. É a República dos homens comuns, diria o querido Luiz Antônio Simas.

Nos muitos momentos em que o peito descompassa e a alma fraqueja (e como fraqueja!), é naquele pedacinho de chão, de 18 metros quadrados, que Alfredo Jacinto Melo, o Alfredinho, uma entidade da cultura carioca, um dos maiores brasileiros vivos (quem o conhece jura que é o maior) atende a todos com sua generosidade ímpar e o mau humor que caracteriza os gênios da raça.

É ali que a roda canta (baixinho) a filosofia de Aluízio Machado: ‘Vai passar esse meu mal-estar, esse nó na garganta’. Viva o Bip. Viva o Alfredo.

O BIP BIP fica na Rua Almirante Gonçalves, 50, em Copacabana. Abre todos os dias no início da noite e não aceita cartão nenhum. Aceita apenas abraços, beijos, benquerença e amizade. Tel: 2267-9656

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