Em 'Leite em Pó', Marina Filizola conta sua trajetória no submundo das drogas

Atriz e apresentadora revela, em livro, as dores de seu passado: 'Cheguei à beira da esquizofrenia'

Por O Dia

Marina Filizola é autora de 'Leite em Pó'Divulgação

Rio - O livro ‘Leite em Pó’ (Editora Planeta, 222 págs. R$ 29,90), da paulista Marina Filizola, acaba de ser lançado e já se tornou leitura obrigatória da literatura marginal no estilo ‘Eu, Christiane F.’. Modelo, trapezista, atriz da minissérie ‘Amazônia’, musa do reality ‘Hipertensão’, ambas da Globo, atleta de alta performance e a ‘Garota Internética’, da Band, ela conta na obra, em formato de crônicas, sua passagem pelo mundo das drogas.

“Eu liguei uma roleta-russa. Cheguei à beira da esquizofrenia e vi muita gente morrer”, lembra Marina. Hoje, aos 35 anos, ela enche a boca pra dizer que está há três anos, cinco meses, 10 dias e pouco mais de 24 horas limpa, depois que começou a frequentar os Narcóticos Anônimos (N.A.), jogando tudo para o alto em troca de sua sobrevivência. “Até os traficantes me evitavam, achando que eu era chave de cadeia. Eu mergulhei fundo no que as pessoas chamam de submundo, mas dei sorte”, analisa.

Marina saiu de casa aos 17 anos, mas já fumava maconha na escola aos 14, na época do handebol, no recreio com os amiguinhos, e fez de tudo um pouco na vida, afundando-se cada vez mais em todo tipo de drogas pesadas que lhe foram apresentadas. Quando estava no auge de seu ofício de atriz e aparições no show business viu de tudo. “Velho, a droga está em todo lugar. Nas festas, nas produções ou nas igrejas. Eu vi todo tipo de gente famosa se drogar pesado, mas não vou dizer os nomes.”

O clique para deixar esse mundo veio com Chico, um inseparável Golden Retriever. “Foi um momento impactante quando Chico passou a não comer e vomitar. Ouvi de um veterinário que ele estava imitando o meu comportamento padrão”, lembra. Esse foi um dos motivos que a levaram a procurar ajuda.

Marina durante sua participação no reality ‘Hipertensão’%2C da GloboDivulgação



Marina sabe que tem uma predisposição genética incurável, mas percebeu a tempo que tinha que se tratar. “Eu estava no isolamento total, virada há 12 dias. Aí peguei meu carro, usei mais droga, larguei, peguei a bike e fui até o Narcóticos Anônimos. Hoje, aquela toalhinha azul do N.A. é a imagem da salvação pra mim (referindo-se a um símbolo do grupo).

Mesmo com cenários de caos e dor presentes em toda essa trajetória, Marina não se arrepende de nada. “Só do que não fiz. Me aprofundei em tudo e me arrisquei. Errei, mas os erros fizeram eu me tornar uma pessoa mais bacana. A gente tem que cair muito pra aprender. É o caminho.”

Capa de 'Leite em Pó'Divulgação



Depois que começou o tratamento também com terapias, Marina está mais centrada. Ela lançou seu livro de crônicas “escrito enquanto estava louca e lúcida”, e pretende continuar escrevendo. Se tudo correr como o planejado, vai roteirizar o livro para que ele vire um filme. “Já há muitos interessados no roteiro”.

Reportagem de Eduardo Minc

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