Por lucas.cardoso

Rio - ‘Se se tem caráter, tem-se também uma experiência típica própria, que sempre retorna”. Um conselho de Nietzche que, lido num dia não muito otimista, me encheu de luz. Começo a crer que chamar Nietzche de pessimista é intriga da oposição. Acreditar que “comprar a briga” é algo que compensa é quase como ter a notícia de que seremos imortais. A luta por manter-se ética é hercúlea.

Não precisamos ir longe, basta ter um senso de justiça mais aguçado que a média, para ser uma pessoa “difícil”. Preocupa-se mais com a reputação do que com o caráter. Afinal, vivemos uma era em que a imagem vale mais que mil palavras, não é mesmo? 

O mundo é cheio de preocupados em parecer — gente em busca da aceitação universal, tenta agradar a todos e, no final das contas, quase passa despercebido. Quem não opina não viraliza. Quem não se posiciona não é odiado e nem amado. Passa batido. Sim, vivemos tempos de muita opinião, vide as redes sociais. Ter um caráter reto, lutar por posicionamentos justos e coerentes vai sempre nos tornar mais difíceis. Mas, ao contrário dos fáceis, as pessoas de posicionamento têm algo que ninguém lhes tira: um respeito viral. Uma admiração crescente, mesmo sendo difícil de tragar.

Como disse Nietzche, vivem uma experiência que sempre retorna. Fico com o retorno dos difíceis à viagem de ida das pessoas que não opinam muito porque mais se preocupam em parecer do que ser.

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