Ellen Oléria lança ‘Afrofuturista’, CD que começou a fazer antes do ‘The Voice’

Amor, luta e celebração da presença negra na música

Por O Dia

Rio - Entre citações e inspirações que vão da jazzista Nina Simone à folclorista e escritora afro-americana Zora Hurston (1891-1960), ‘Afrofuturista’, terceiro disco de Ellen Oléria, une música e autoafirmação. Temas como feminino, racismo e religiosidade afro surgem em músicas como ‘Afrofuturo’, ‘Eu Posso Ser Mais’, ‘Solta na Vida’ e ‘Forró da Olinta’. Para a cantora vencedora da primeira temporada do programa ‘The Voice Brasil’, da Rede Globo, o principal é, em tempos conturbados, ter soltado um disco que fala de amor e solidariedade.

Ellen%3A cantora volta ao meio independente e inclui várias referências no novo álbum%2C que vai de Nina Simone a escritoras afroamericanasDivulgação / Diego Bresant

“Estamos vivendo uma violência muito gratuita. O projeto de sociedade brasileira é racista, misógino, classista. Como mulher negra, pertenço a uma linhagem que experimentou os maiores genocídios. Somos as maiores vítimas de violência doméstica. E a presença negra vem sendo jogada nas latrinas há tempos”, denuncia. “Mas a ideia do disco é celebrar a nossa presença e contribuição, que pode ser compartilhada por todo mundo, independentemente de etnia. O disco tem letras aguerridas, sim, mas o principal é dar uma injeção de vida, cantar o amor”.

Quando Ellen lançou seu disco anterior, ‘Ellen Oléria’ (2013), já havia uma parte de ‘Afrofuturista’ pronta, inclusive com arranjos preparados. O álbum anterior saiu pela Universal, como parte do prêmio ganho pela vitória na primeira temporada do ‘The Voice Brasil’, e unia músicas próprias e covers de Milton Nascimento, Alceu Valença e Jorge BenJor.

Capa do novo álbum%2C que fala de feminilidade e questões raciais em várias letras. 'Mas o principal é que ele dê uma injeção de vida e fale de amor'%2C dizDivulgação

“Aproveitei bastante meu contrato com a Universal, mas sempre fui independente, sempre quis ser senhora do meu trabalho”, conta. Ellen diz ter gostado do resultado de seu único álbum feito até agora para uma gravadora multinacional. “Foi um retrato sonoro da época. Todos os discos são, esse novo também é. Espero que nenhum me resuma totalmente, é como um momento vivido. É como ver aquelas fotos da adolescência, né? Em algumas você está bem, em outras você está horrorosa...”, brinca.“Eu cheguei a levar para esse disco anterior algumas músicas do ‘Afrofuturista’ que estavam prontas e iam ficar meio de lado enquanto eu trabalhava no CD”, completa.

Casada com sua própria produtora e empresária, Poliana Martins, a cantora brasiliense de 33 anos não tem filhos e não faz planos para isso. “Meu irmão até brinca que queria uma pretinha para brincar com os filhos dele. Mas não chegou a hora”, diz, afirmando que, quando o casal sai à rua, provoca todo tipo de reação. “Tem gente boa e gente ruim na igreja e no boteco, né? Muita gente manda boas vibrações, enquanto há pessoas que se incomodam muito em saber que estamos juntas. Mas acho que tudo bem, porque várias coisas no mundo também me incomodam e preciso saber administrá-las”, revela.

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