Bia Willcox: Conhecimento e formaçào são aliados da governança do bem

Todo esse lembrar e relembrar me levou a um só lugar: o da importância das oportunidades na vida de uma criança para determinar o adulto que ela vai ser

Por O Dia

Rio - Esse dias tenho pensado muito na minha formação. Educação formal, informal, o que aprendi com meus pais, o que questionei, transgredi e segui. Penso no que carreguei aqui - alguns pontos intactos e outros 100% reciclados, transformados. Todos construídos a partir de referências absolutamente necessárias para ser quem eu sou hoje.

Eu me refiro à educação ampla, integral, aquela que forma caráter e determina seus valores,como moldura do conhecimento que você adquire. Até o entretenimento da infância, parte absolutamente indispensável na nossa formação, faz a diferença no que somos e pensamos.

Brinquei de Barbie, peguei a moda da Suzy, tive o Beto galã, a mala da Suzy com direito a penteadeira e beliche. Criei bonecas de papel e livros de histórias editados em casa com hidrocor, lápis-de-cor e tesoura.
Aprendi a jogar xadrez com meu pai, dei xeque-mate uma só vez. Ganhei vinis de Chico Buarque, Rita Lee, Clara Nunes, Frank Sinatra, Beatles e Quincy Jones. Aprendi a gostar de rock com a mesma intensidade que ouvia mùsica brasileira. Descobri o Inglês. Joguei War, Detetive, Monopoly e Atari. Zerei o PacMan. Fui ao teatro infantil e ao cinema. Vivi modas, tive sandália de plástico da cor "Coca-cola" e ouvi muitos nãos pra várias coisas que queria ter. Normal. Tive poucos castigos e muito diálogo. Tive broncas e debates abertos sobre qualquer assunto à mesa do jantar.

Ouvi nãos pra algumas coisas que quis fazer e "ainda não era hora". Mesmo sabendo hoje que não foram tantos nãos assim, eu questionei, "peitei" e fiz pequenas transgressões em casa e na escola. Mas estudei, estudei e li. Fiz provas e passei. Me esforcei, reclamei da vida, quis ser diferente, ter pais diferentes, escola diferente, país diferente. Todas essas frustraçòes "burguesas" fortaleceram meu caráter.

Todo esse lembrar e relembrar me levou a um só lugar: o da importância das oportunidades na vida de uma criança para determinar o adulto que ela vai ser. Oportunidades formais de ter uma escola que a permita aprender e escolher seus caminhos para aquisiçào de conhecimentos e oportunidade de uma família preparada e também educada para educar. Sem essas oportunidades que eu tive, seria muito difícil ser o que sou hoje e eu nem falo de conquistas materiais. Falo de muito mais.

Portanto, o que mais posso desejar ao meu país é que demos a sorte de ter brasileiros líderes natos que reconheçam a importância de cuidar dessas oportunidades, que vejam a figura grande e que não tenham medo de empoderar todas as crianças com a educação e conhecimento. Se esses líderes realmente acreditarem nesse camino, terão todos como seus seguidores e admiradores e nào como ameaça. Conhecimento e formaçào são aliados da governança do bem. 

Mais educação, por favor.

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