Plebe Rude ganha documentário

Canal Brasil exibe filme amanhã e mostra as histórias, as músicas e brigas dentro do grupo

Por O Dia

Rio - O criador da Plebe Rude, Philippe Seabra, admite que a convivência dentro da formação clássica do grupo nunca foi fácil. “Era uma coisa de incompatibilidade, não de caráter. Mas era desse atrito que vinham o som da banda e nossas mensagens. Que infelizmente estão atuais até hoje”, conta o vocalista e guitarrista. Ele e o baixista André X, únicos integrantes remanescentes da primeira fase da Plebe, rememoram a história do grupo no documentário ‘A Plebe É Rude’, dirigido por Diego Da Costa e Hiro Ishikawa e produzido por Doctela, Pietà Filmes e pelo Canal Brasil — que exibe o filme em plataformas de vídeo sob demanda a partir de amanhã.

Philippe Seabra (à esq.) e Andre X%3A integrantes da Plebe Rude desde os anos 80%2C em depoimento no filmeDivulgação

O filme chega a tempo de comemorar 30 anos da estreia do grupo, com o disco ‘O Concreto Já Rachou’, e os 35 anos da banda. Além de André e Philippe, falam Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso, produtor dos dois primeiros álbuns e padrinho do grupo), Gutje Woortman (ex-baterista), Clemente (da banda paulistana Inocentes, hoje também guitarrista da Plebe). Os atritos no banda deixaram de fora do doc o ex-guitarrista e vocalista Jander Bilaphra. Hoje longe do rock, ele não quis dar depoimento e limitou-se a dizer que a Plebe foi “uma fase” em sua vida.

“A gente seguiu um caminho diferente dos nossos contemporâneos. Nunca fizemos nada romântico, por exemplo. A gente participou do ‘Cassino do Chacrinha’, mas nunca fez ‘Globo de Ouro’, que era uma parada musical. Também lutávamos para nem ir no ‘Chacrinha’. Não dava para cantar uma música como ‘A Ida’, que fiz para um amigo que morreu, com bacalhau voando”, brinca Philippe, que deixou o Brasil após um hiato do grupo, nos anos 90. “Assim que voltei para o Brasil, vi os Titãs dando entrevista na TV com uma apresentadora e um papagaio do lado (referência a Ana Maria Braga). Pensei: ‘Não tenho espaço aqui!”. Hoje, se provou o contrário, e eles lançam o CD ‘Nação Daltônica’.

O doc recorda o começo da banda em Brasília (“era um marasmo total, quando a gente não apanhava da polícia, apanhava dos playboys”, relata o músico) e a descoberta de bandas como Stiff Little Fingers, Clash e Killing Joke, antes que elas fossem conhecidas no Brasil. “Tem quem cobre um posicionamento da gente sobre o que está acontecendo no país hoje. Cara, olha nossas letras!” 

Últimas de Diversão