Mariana Nunes vive no cinema personagem que mudou a vida do Brasil

No papel ela é Celeste Arantes, mãe do craque Pelé

Por O Dia

Mariana Nunes irá viver a mãe de Pelé nos cinemas Divulgação

Rio - Mariana Nunes está no ar como a escrava Blandina de ‘Liberdade, Liberdade’, mas apesar de retratar os preconceitos raciais vividos num Brasil de outro século, a personagem de maior importância da atriz talvez seja a que ela interpreta na telona. Celeste Arantes mudou a vida de uma nação, ela deu à luz Pelé e essa história é contada no longa ‘Pelé — O Nascimento de Uma Lenda’, de Michael e Jeff Zimbalist, que estreia no segundo semestre.

Celeste Arantes, que junto com o pai, Dondinho, interpretado por Seu Jorge, são os alicerces para a construção do mito. “É um projeto lindo e o resultado está bárbaro. Contamos, por exemplo, o fato de que a mãe não queria que ele se tornasse jogador”. O rei do futebol foi filho do grande jogador (Dondinho), que se frustrou com a carreira.“A família não queria que Pelé passasse pelo mesmo”, conta. A vocação do jogador falou mais alto, e sua personagem, como toda mãe amorosa, deu mais que seu apoio: “Celeste era muito presente. Não queria que o filho sofresse, mas também era sábia, percebeu que era o seu destino.

Foi ela que chamou o técnico do Santos. Tem uma passagem que o Pelé se machuca e quer desistir. Ela não deixa”. A atriz se emociona ao constatar que o roteiro do filme se mistura à vida de tantos brasileiros. “É uma história nossa. Sobre uma família pobre, negra, como muitas no Brasil. Gente simples que sonha, que acredita no sonho dos filhos”, analisa.

Mariana saiu de Brasília aos 22 anos e mesmo com todas as dificuldades da profissão nunca pensou em desistir. “Sempre tive certeza do meu caminho. Desejava ser atriz até antes de ter consciência disso. Queria me comunicar com as pessoas, usar meu corpo como veículo de narrativas que merecessem ser contadas.

” O maior perrengue, em sua opinião, foi estar numa cidade onde ainda não havia estabelecido relações e não conhecia muitas pessoas. A intérprete diz estar feliz com o trabalho na TV, mas reconhece os percalços que encaram os atores vindos de outros meios. “Para um público, é como se só fosse ator quem faz televisão. Fazer ou não televisão dita muito o seu valor”, resume.

Falar de preconceito não é um tabu. A atriz afirma que ele está entranhado na vida de qualquer brasileiro negro. “Vivemos misturados, então achamos que todos são iguais, que não existe mais preconceito. Ele existe, é institucional, não vemos a mesma quantidade de negros e brancos ocupando posições de chefia, por exemplo. Não vemos muitos negros professores, mas vemos muitos faxineiros. Alguém te impedir de fazer algo só pela cor da pele é só o preconceito levado ao extremo.”

Mariana, ainda hoje, passa por situações desconfortáveis em relação ao tema, que para ela deve ser abertamente falado. “Já fui a lojas no Leblon escolher roupas com a profissional que me veste, e fui questionada se estava escolhendo roupas para alguém. A artista que estava se vestindo não podia ser eu. Quando percebem que a pessoa em questão sou eu, cai uma ficha”, lamenta e completa: “O mundo já mudou muito e continua mudando.”

Na Novela

No ar em ‘Liberdade,Liberdade’, como a escrava Blandina, da personagem Dionísia, de Maitê Proença, ela enaltece a parceria. “Maitê é uma ótima colega, generosa, estou adorando.” Sobre o papel na novela, a atriz diz que talvez seja o seu trabalho mais difícil até hoje.

“Sei que é ficção, mas é uma história que se passa numa época que o Brasil de fato viveu, a escravidão. Conta a trajetória dos meus antepassados, que um dia foram escravizados. Claro que é doloroso, é como reviver um pouco tudo.”

Na novela ela interpreta a escrava Blandina, da personagem Dionísia, de Maitê ProençaDivulgação

Ela observa que o trabalho da direção de arte e da caracterização do folhetim dão a veracidade necessária para que o ator realize um trabalho com a sensibilidade exigida. “A primeira vez que estive na cidade cenográfica fiquei muito impressionada. É tudo muito real. Impossível não se transportar.”

Mariana adianta que sua Blandina ficará cada vez mais próxima da personagem de Andréia Horta, a protagonista Joaquina, uma libertária, que luta por justiça e igualdade. “No meu núcleo estão a Andréia e o Caio Blat. Ambos são atentos às relações entre os atores. Trabalhamos na construção desse panorama do Brasil daquele período. É enriquecedor”, reflete.

A artista estará em mais quatro produções cinematográficas. Numa delas, ‘São Jorge’, com direção de Marcos Martin, Mariana contracena com o ator português Nuno Lopes, numa trama que se passa numa Portugal abalada pela crise. Dos trabalhos recentes, a atriz é muito lembrada pela protagonista feminina do filme ‘Alemão’, de José Eduardo Belmonte.

Na produção, inspirada no episódio da tomada do Complexo do Alemão, ela faz a ex-mulher do dono do morro, vivido por Cauã Reymond, que já declarou admirar a parceira de cena. Sobre ele, ela é enfática: “Ele é incrível, dedicado. Trabalhamos muito juntos para criar essa coisa da relação do ex-casal. Cauã joga junto.” 

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