Sandra Werneck faz filme com sósias de Roberto, Cazuza e Ivete Sangalo

Cineasta lança amanhã o documentário ‘Os Outros’

Por O Dia

Rio - A cineasta Sandra Werneck lança amanhã o documentário ‘Os Outros’. O desejo inicial era realizar um filme sobre o cantor Roberto Carlos, mas desistiu. “Percebi que seria muito difícil, você não consegue chegar até ele. Tentei, enviei e-mails, enfim. Pensei, se eu não tenho o original, vou atrás do cover. Um amigo contou que tinha um cover do Roberto, que fazia um passeio na Baía de Guanabara, por R$100, churrasco incluso. Foi o primeiro personagem”, conta Sandra, referindo-se a Carlos Evanney, que faz performances como Roberto Carlos há 16 anos. “Como artista, no total são 37 anos de carreira. Tenho muito amor pelo meu trabalho. Não sou cover por opção, foi Deus quem me deu esse dom porque sabia que o Roberto seria esse fenômeno e não poderia mais estar em todos os lugares. Posso andar nas ruas, abraçar as pessoas. Com as crianças, para não desapontar, digo que sou ele e canto para elas”, diz Evanney.

A diretora Sandra WerneckMaira Coelho

Sandra Werneck descreve o filme como o resultado da sua pesquisa em busca dos personagens. “Queria um cantor romântico, um rock ‘n roll e um bem popular. São três personagens bem diferentes”. Os escolhidos foram os covers de Roberto Carlos (Carlos Evanney), Cazuza (Pepê Moraes) e Ivete Sangalo (Edson Júnior / Scarleth Sangalo). Quando lembra do sonho de conhecer o astro, o primeiro escolhido, Carlos Evanney,se emociona. “Soube esperar. Comecei a ir para a porta do Roberto Carlos em 2000, no seu aniversário. Depois passei a ir três ou quatro vezes por ano. Até que no aniversário de 2003, o conheci, recebi um pedaço do bolo e minha filha, que tem o nome em homenagem a ele, Roberta Carla, ganhou outro”, e acrescenta "Estar com ele foi a maior emoção da minha vida. Maior até do que o nascimento do meu primeiro filho e ele entende isso”.

Sandra se encantou pela história dos personagens. “O Evanney é o Roberto 24 horas. A paixão dele é imensa. Copia as roupas, se apropriou das mesmas superstições, até manca. E é uma pessoa muito doce. Depois descobri que havia um transformista na Bahia que fazia a Ivete Sangalo, o Edson Júnior, com nome artístico de Scarleth Sangalo. Um ator nato, criativo. Chamaria ele pra atuar em longa meu. Quis que o terceiro cover fosse um Cazuza. Fiz o filme ‘Cazuza - O Tempo não Para’, conheço muito a história. Veio o Pepê Moraes. Um cara mais velho, casado, pai de uma filha. Gostei disso. O cara faz o Cazuza, mas é marido, pai. O cara é rock ‘n roll, mas é família.”

Carlos Evanney se transforma no ReiDivulgação

A cineasta diz que não é uma obra com foco na atividade profissional do sósia. “Não adiantaria fazer um filme sobre os covers se eles não tivessem uma história individual interessante para ser contada. Me interessa como se dão as relações afetivas. Gosto de entender como as pessoas pensam, amam,sentem e desejam”. O documentário procura entender a posição do outro, aquele que não é, e nunca será, o original.

Últimas de Diversão