‘Gilberto Gil, Aquele Abraço — O Musical’ expõe a poesia do cantor baiano

MPB cantada e recitada em musical

Por O Dia

Rio - ‘Gilberto Gil, Aquele Abraço — O Musical’ estreia no Rio amanhã no Teatro Clara Nunes, dois meses após a estreia em São Paulo, e parte direto na contramão dos musicais temáticos. Ao contrário das recentes peças sobre Cássia Eller, Elis Regina e Wilson Simonal, não é uma biografia levada aos palcos — o próprio Gil pediu que a peça não contasse a história da sua vida.

“Não há nem um personagem Gilberto Gil na peça”, diz o autor e diretor Gustavo Gasparani. “Não caberia um roteiro convencional, até pela trajetória revolucionária do Gil. Apostei numa dramaturgia mais livre, com atores-músicos cantando, recitando e tocando canções dele. A poesia do Gil fica em primeiro plano. Cada ator fala de experiências suas com a obra dele”, conta Gustavo, usando um esquema já apresentado por ele no musical ‘SamBra’, sobre os cem anos do samba,em que atores ligados ao gênero expunham vivências suas. Há também projeções em vídeo no cenário do espetáculo.

O musical é dividido em 11 blocos, sem seguir uma cronologiaDivulgação

O musical é dividido em 11 blocos, sem seguir uma cronologia. “‘Se Eu Quiser Falar Com Deus’ (dos anos 80) aparece na parte dedicada à Tropicália (anos 60)”, conta.

O diretor uniu temas como ‘Impressões à Beira do Cais’, ‘Os Anos de Chumbo e a Tropicália’ e ‘A Raça Humana — Dois Mil e Gil: Uma Odisseia no Espaço’ sob o mote ‘O Poeta, a Canção e o Tempo’, que norteia a peça. E nas pesquisas, percebeu ‘vida’ e ‘morte’ como temas presentes nas letras de Gil desde jovem. “O envelhecer aparece muito na obra dele, o passar para uma outra fase, para o futuro”, diz.

Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima e Rodrigo Lima são os atores-músicos que interpretam as canções de Gil na peça — o grupo já passou por musicais como ‘Samba Futebol Clube’ e o próprio ‘SamBra’. No roteiro há músicas como ‘A Linha e o Linho’, ‘Cálice’, e ‘O Seu Amor’. “A peça funciona como uma exposição, um panorama do Gil. Eu mesmo não sabia que ‘Cálice’, que canto no musical, era dele. Achava que fosse só do Chico Buarque (parceiro de Gil na música)”, conta o ator Cristiano Gualda. Gasparani ressalta o lado vanguardista do baiano. “A sociedade está muito careta e precisamos das lições de modernidade dele. A peça não é partidária nem levanta bandeiras, mas o pensamento do Gil está ali”, afirma.

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