Por luis.araujo
José Tiago Sabino Pereira, 30 anos, o rapper Projota, mantém uma relação de confiança com seu públicoDivulgação

Rio - ‘Se quiser falar mal, fala daí/Mas meu público grita tão alto/Que eu não consigo mais te ouvir”, grita Projota em ‘Muleque de Vila’, um dos raps de seu repertório resgatados para o DVD ‘Força, Foco e Fé’, o segundo de sua carreira, gravado em janeiro no Espaço das Américas (São Paulo). Para a alegria da plateia cheia de meninas, que grita e aplaude.

Assistido na gravação por três mil fãs sorteados em suas redes sociais, José Tiago Sabino Pereira, 30 anos, o rapper Projota, mantém uma relação de confiança com seu público. Pediu até que os presentes fizessem uma salva de palmas por todos os fãs e honrassem a oportunidade por quem não foi sorteado e não pôde assistir.

“Abrimos inscrição para todo mundo. Fiquei bem feliz com o resultado. Quem não foi sorteado é que não ficou muito feliz, né?”, lamenta. “Mas tem um lance, uma coisa entre nós que é muito forte. Não tenho nem palavras. Muitas vezes acontece alguma coisa no show, como o som acabar, aí eu paro, volto, falo com todo mundo e já está tudo bem. Quando tem briga, eu paro e faço a briga parar. Não dá tempo nem de acontecer. As próprias meninas que estão no show já começam a vaiar e demonstram que não estão aprovando aquilo.”

O primeiro DVD de Projota, ‘Realizando Sonhos’, foi gravado em 2012 no Master Hall em Curitiba, sem verba e sustentado basicamente com a grana da bilheteria. “Fiz com as mesmas pessoas que faziam meus eventos lá, tipo ‘vamos fazer essa festa aí para eu filmar o DVD’. E hoje resolvi não cobrar ingresso (na gravação de ‘Força, Foco e Fé’) para devolver esse dinheiro para os fãs. Não precisava dessa grana e eles precisavam mais.” Será que é o mesmo público? “Tinha muita gente lá que me ouvia desde os 14 anos e hoje está com 20 e poucos.”

Numa mescla de discurso romântico e frases fortes de rapper, típicas de quem ouviu tanto rap quanto bandas como Charlie Brown Jr (Chorão chegou a elogiar sua ‘Chuva de Novembro’, que está no DVD), Projota tem muitos fãs fora do seu estilo. Já declarou ter influências de música sertaneja, teve sua ‘Cobertor’ gravada por Anitta, participou do primeiro CD de Lucas Morato (sambista jovem, filho de Péricles, ex-Exaltasamba).

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No DVD, releu ‘Cobertor’ sozinho, levou Anitta para cantar em ‘Faz Parte’ (feita especialmente para ela), rappeou de improviso com os amigos Rashid e Kamau em ‘Tsunami’ e convidou Marcelo D2 para cantar as mulheres em ‘Elas Gostam Assim’. Nas letras, une referências de séries, filmes, lugares que frequentava com os amigos e até expressões do mexicano ‘Chaves’.

“Meu gosto é popular. Gosto de ver séries, de ficar com meus amigos, as coisas mais simples. Posto nas redes sociais os filmes que vejo, livros que leio. Nunca precisei forçar a barra, estudar o que eles querem”, diz Projota, citando Cazuza, Chorão, Renato Russo e Belchior como influências. “O rap tem que continuar esse legado dos compositores brasileiros, levando sua mensagem, cada um com sua poesia. Isso é importante para as pessoas. Já vi marmanjo de 20 e poucos anos chorando, dizendo que minha música lhe tirou da depressão. Uma vez, um cara se ajoelhou na minha frente! Falei: ‘Cara, levanta daí, não é Jesus que tá aqui não!’”


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