Marca Hex é lançada com roupas agênero e tem Aguinaldo Silva como embaixador

Figurinos são idealizados pelos irmãos Rafael Ferrero e Rodrigo Ferreira

Por O Dia

Figurinos são idealizados pelos irmãos Rafael Ferrero e Rodrigo FerreiraDivulgação

Rio - A Hex, com roupas 100% agênero, promete revolucionar o mercado da moda. Idealizada pelos irmãos Rafael Ferrero e Rodrigo Ferreira, tendo o autor Aguinaldo Silva como embaixador, a marca virtual que investe em tecidos de alto padrão, lançada hoje, preza pela desconstrução dos gêneros feminino e masculino no vestuário. “Temos a proposta agênero desde a criação do biotipo com o qual estamos trabalhando, que não é um corpo de homem nem um de mulher, é um corpo que fica no meio termo”, explica Rafael, que é também é ator.

A ideia dos fundadores é trabalhar a modelagens dos corpos, que oscile nos dois universos: “Temos roupas acinturadas, não focamos só no oversized. As pessoas confundem moda agênero com unissex. Para que isso seja melhor entendido, desconstruímos nomes das peças e renomeamos baseados nas vestimentas greco-romanas”, acrescenta. “O unissex tem roupas com gêneros pré-estabelecidos, mas que qualquer pessoa pode usar. Por exemplo, você pega um vestido e coloca num cara, mas esse vestido não foi desenhado para ele, entende?”

Na novela ‘Velho Chico’, o personagem Miguel, interpretado por Gabriel Leone, usa muitas roupas agênero. “A novela trabalha essa proposta de uma forma mais sutil, subliminar, porque atinge um público que não dialoga com essa ideia, mas acho que essa iniciativa já é uma conquista. A Hex vem de maneira escancarada, para questionar os padrões impostos.”

Figurinos são idealizados pelos irmãos Rafael Ferrero e Rodrigo FerreiraDivulgação

Mas há quem se pergunte: os homens vão ter coragem de usar saias, vestidos e cropped no dia a dia? Rafael responde: “Eles não usam porque não existe marcas que investem nisso. Nós estamos construindo uma coisa que as pessoas ainda não sabem que querem. É moda com liberdade de expressão.” Para o profissional, muitos héteros deixam de usar roupas estilosas porque acham que vão ser tachados de homossexuais. “É tão arcaico pensar dessa maneira. É uma doença chamada machismo que te limita ser e se expressar da forma como quiser.”

Garota-propaganda da marca, a transexual Joana Couto foi escolhida a dedo. “Ela é a nossa Gisele Bündchen. Não a escolhi só por ser transex, mas por ser linda e fotografar maravilhosamente bem”, conta Rafael. E foi por acreditar na ideologia dos fundadores que o autor Aguinaldo Silva aceitou ser embaixador da marca.

“Vi que a coisa era muito mais importante. Não era mais uma grife a ser lançada, é uma grife com ideologia, que traz novidades, ousadia, a coragem da vanguarda”, comenta Aguinaldo, que faz questão de dizer que é vaidoso e que se interessa por moda. “A minha idade pede coisas mais clássicas, o último velhinho que vi usando saia foi o Flávio de Carvalho (modernista brasileiro que circulou em São Paulo de saia em 1956)”, diverte-se.

Para o autor, as roupas não deveriam ter gêneros: “O salto alto, por exemplo, era usado por homens como Luís XIV. Já a saia? Não conheço homens mais viris e másculos como os escoceses, que usam kilts.”

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