Encontro de sambistas agita a Praça Tiradentes

Evento '#VemPraRoda' junta hoje músicos de mais de trinta rodas do Rio

Por O Dia

Praça Tiradentes%3A turma da Rede de Rodas de Samba (Júlio é o sétimo da esquerda%2C na fila de cima)Alexandre Bum

Rio -Enquanto você lê este texto, tem uma roda de samba tocando em algum canto do Rio. Ou articulando um show para mais tarde — afinal existem mais de cem grupos, munidos de cavaquinho, violão e percussão, espalhados da Zona Norte a Oeste. Trinta e cinco deles fazem parte da Rede Carioca de Rodas de Samba, criada em dezembro de 2014 em parceria com o Instituto Eixo Rio, e que realiza hoje na Praça Tiradentes às 18h o evento ‘#VemPraRoda — A Roda das Rodas’. O show é aberto e gratuito.

A ideia do show é fazer todo mundo cantar e sambar, e comemorar os cem anos do gênero musical. E também mostrar a importância das rodas de samba para a história do Rio e do Brasil. “O samba começou com a roda! Imagina, os blocos e as escolas de samba têm suas ligas e as rodas não tinham nada disso. Elas estavam completamente soltas dentro da política cultural da cidade”, conta Julio Morais, um dos idealizadores da Rede Carioca. Ele lembra que o projeto da rede surgiu numa época em que músicos da cidade tinham dificuldade de se apresentar em espaços tradicionais como Pedra do Sal. “O samba é o maior elemento cultural do Brasil e encontrava problemas de liberação de espaço público, ou com ambulantes”.

No ‘#VemPraRoda’, cerca de 200 músicos se revezam em clássicos de Candeia, João Nogueira e Paulinho da Viola, e em músicas imortalizadas por Clara Nunes e Zeca Pagodinho. “Faremos partido alto, samba de enredo e sambas de Terreiro. Vai ser como faziam os mais velhos do Terreiro de Tia Ciata, do Estácio, da Mangueira e da Serrinha. Deixaremos o samba fluir”, explica Julio Morais.

Entre as rodas confirmadas, estão Pedra do Sal (Zona Portuária), Samba da Serrinha (Madureira), Terreiro de Crioulo (Realengo), Samba da Feira da Glória (Zona Sul), Moça Prosa (Pedra do Sal). Esta última é composta apenas por mulheres sambistas. “Queremos resgatar o feminino no ambiente do samba. Estamos inspirando muitas mulheres e algumas já nos disseram que o samba virou até terapia para elas”, alegra-se Fabíola Machado, integrante da Moça Prosa. 

Identidade Brasileira na Flisamba

Não há história da cultura afro-brasileira e do samba no Rio sem o Renascença Clube, no Andaraí. No domingo, o local abre as portas para a primeira FliSamba, Festa Literária do Samba e Resistência Cultural. O evento tem música, roda de jongo, samba e uma feira com espaço para escritores, editoras e livrarias exporem as suas obras. Nei Lopes é o homenageado da festa.

“É um desafio prazeroso, porque quando você associa o samba à literatura, descobre uma gama de livros sobre o tema”, conta o o vice-presidente social do Renascença, Filó Filho. “A ideia é unir samba, gastronomia e literatura. A comunidade negra sempre viveu isso”.

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