Naomi, sobrinho de Alexandre Nero, estreia no cinema na pele de transexual

Escolhido para protagonizar o novo filme de Anna Muylaert, ‘Mãe Só Há Uma’

Por O Dia

Naomi Nero interpreta o personagem Pedrinho no filme ‘Mãe Só Há Uma’Divulgação

Rio - Escolhido para protagonizar o novo filme de Anna Muylaert, ‘Mãe Só Há Uma’, que acaba de entrar em cartaz, o ator Naomi Nero, de 19 anos, provou que o talento é de família. Sobrinho de Alexandre Nero, o estreante encarou a missão de viver Pierre no longa inspirado livremente no caso Pedrinho, que parou o Brasil em 2002. Mas a paixão pela arte não vem apenas do tio. Naomi é filho da atriz Ana Nero, sua tia é a produtora de cinema Andrea Nero e seu pai dirige filmes publicitários.

“Todo mundo é artista na família. Era uma coisa meio inevitável, até meus primos são atores”, destaca Naomi, que começou no teatro aos 7 anos.

O jovem conta que, para construir seu personagem, se inspirou na relação que tem com sua irmã, de 24 anos, que é transexual. “Não sabemos se o personagem é trans, ele está se descobrindo, mas essa fuga do padrão de gênero me ajudou a me colocar na pele dela”, explica.

Pedrinho, interpretado por Naomi, é um adolescente que, aos 17 anos, descobre que foi roubado na maternidade, ainda recém-nascido, pela mulher que o criou a vida toda e a quem ele chama de mãe. Ele é obrigado a trocar de família, de nome, de casa, de escola, em meio a seu processo de individualização.
O jovem já estreia na telona ao lado de nomes consagrados como Matheus Nachtergaele, Dani Nefussi, Daniel Botelho, Luciana Paes e Helena Albergaria. O filme foi rodado na cidade de São Paulo.

“Trabalhar com esse elenco é incrível. Matheus, por exemplo, é um dos atores que mais admiro e pude atuar com ele. Para mim, já é uma conquista. Outra referência é Robert De Niro, sou fã”, conta o ator, que quer se destacar ainda mais no cinema.

Apesar da constelação de atores na família, Naomi ainda não contracenou com seus parentes. “Nunca atuei com nenhum deles. Mas esse é um outro sonho que vou realizar”, destaca.

Produzido pela África Filmes e Dezenove Som e Imagens, o longa abre o 11º Festival de Cinema Latino-Americano, onde a diretora é a grande homenageada do evento. Selecionado para a seção Panorama do Festival de Berlim, ‘Mãe Só Há Uma’ foi vendido para mais de 15 países e levou o prêmio de Melhor filme Queer do júri da revista alemã ‘Männer’, dentro do Teddy Bear Award.

“Trabalhar nesse filme foi mágico, mas muito difícil por ser minha primeira experiência no cinema. É uma outra linguagem, completamente diferente. Mas foi magnífico ser dirigido pela Anna”, comemora o jovem. 

Reportagem: Rodrigo Bertolucci

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