Por gabriela.mattos

Rio - Causou forte reação no meio do samba a afirmação do patrono do Império Serrano, Rildo Seixas, à coluna de Leo Dias, publicada nesta quarta-feira no DIA, rejeitando enredos que tratem de candomblé ou umbanda. Seixas, evangélico, disse que se um tema desse tipo for escolhido ele sai da agremiação.

O professor de História Luiz Antonio Simas, pesquisador das escolas de samba, acha que a afirmação do patrono revela desconhecimento das raízes da agremiação. “Talvez ele não saiba que o fundador do Império foi Elói Antero Dias, o Mano Elói, que era babalorixá. A escola e a religião são indissociáveis”, acredita o historiador. “O ‘patrono’ pode ser o que quiser em termos de religião. Não pode fazer chantagem dizendo que sai se o Império falar de macumba.”

Também o escritor e pesquisador Fábio Fabato critica a declaração de Seixas. Lembrou que o Império Serrano se formou pautada em saberes africanos, além da exaltação à cultura popular sem qualquer preconceito. “A escola brilhou com enredos como ‘Lenda das Sereias, rainhas do mar’ até ‘Império do Divino’, que retratava, justamente a religiosidade diversa do povo brasileiro”, disse ele.

Para Fabato, esta decisão do patrono se choca com os elementos formadores da escola, que datam de 1947. “No ano que vem, serão 70 anos e esta intolerância é um bolo de aniversário estragado e sem os erês (crianças) de paz por perto”, definiu o pesquisador.

A Leo Dias, Seixas disse que não tem a intenção de “tomar a escola para si”, mas afirmou que não ficaria se fosse escolhido um enredo que abordasse temas ligados às religiões afro.

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