Com morte de Domingos Montagner, novela 'Velho Chico' deve ser encurtada

Na noite da tragédia, folhetim teve pico de audiência só comparável à estreia. Gravações recomeçam domingo

Por O Dia

Rio - A morte do ator Domingos Montagner, de 54 anos, na tarde de quinta-feira, após mergulhar nas águas do Rio São Francisco, mesmo cenário de ‘Velho Chico’, abalou o elenco e mudou os rumos da novela das 21h. As gravações estão previstas para voltar neste domingo nos estúdios da Globo, em Jacarepaguá. A emissora tem apenas quatro capítulos prontos e precisa de 11 para encerrar a trama. Com isso, uma das saídas é reeditar os capítulos para encurtá-los. Assim, ganharia mais tempo para os atores se recuperarem do choque e gravar novas cenas. “Estamos pensando em como terminar a novela. Por enquanto, ainda não sentamos e batemos o martelo. Nossa preocupação primeiramente é na família do Domingos. Assim que tivermos alguma ideia entraremos em contato com a Globo”, afirma Bruno Barbosa Luperi, um dos autores, ao lado de Benedito Ruy Barbosa e Edmara Barbosa.Domingos foi sepultado neste sábado ao meio-dia, no Cemitério da Quarta Parada, na zona leste de São Paulo, em cerimônia reservada para parentes e amigos. Fãs aplaudiram a passagem do caixão do ator. O velório foi no Teatro Fernando Torres.

Depois da tragédia, a trama alcançou 35,2 pontos no Ibope na Grande São Paulo (cada ponto equivale a 69,4 mil domicílios) na quinta-feira. Audiência só não superou a do capítulo de estreia, quando a novela das 21h atingiu 35,4 pontos. O resultado é 23% maior que o obtido na véspera, 28,6 pontos.

Coincidências infelizes marcaram o capítulo exibido na noite da tragédia. A personagem Encarnação (Selma Egrei) tentou se matar por afogamento no rio. A novela ainda mostrou o espírito de Martim (Lee Taylor) no barco fantasma Gaiola Encantada, que na novela transporta os mortos pelo rio. Incomodados, telespectadores criticaram as cenas nas redes sociais. No entanto, o capítulo já estava gravado desde o início da semana. O protagonista Santo, interpretado por Domingos, não apareceu em nenhuma das cenas.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Aracaju (SE) apontou que o ator morreu por asfixia mecânica por afogamento. O corpo tinha ferimentos superficiais na região do tórax devido ao contato com pedaços de madeiras e pedras. “Foi um acidente”, disse o diretor do IML, José Aparecido Batista Cardoso.

Domingos Montagner morreu aos 54 anos. Deixa esposa e três filhos..

Família usa rede social para agradecer
A família de Domingos Montagner usou as redes sociais do próprio ator para agradecer “as manifestações de carinho, apoio e solidariedade que tem recebido de todos”. A mensagem publicada no perfil oficial do ator no Facebook diz ainda que a família “busca reunir a força necessária para atravessar — com serenidade e discrição — este momento difícil, íntimo e delicado ao lado dos amigos e familiares.” Natural de Embu das Artes (SP), ele deixa a mulher, Luciana Lima, e três filhos.

Domingos ficaria em Canindé de São Francisco até o próximo domingo para a gravação das últimas cenas da novela. Em um vídeo gravado pelo Gshow e exibido pelo ‘Jornal Nacional’ com a despedida do elenco, ele comemorava o fim das gravações de sua 12ª novela. “Nossa derradeira viagem de gravações de ‘Velho Chico’, encerrando esse épico maravilhoso cheio de amor, de emoção, de carinho, de amizade... Olha a família”, disse o ator, abraçado a Gabriel Leone e Camila Pitanga. Ela, que vivia Tereza, par romântico de Domingos, mergulhou com ele e ainda tentou socorrê-lo.

Para índios, ator agora protege o rio
Na novela, índios da tribo Tafkea salvaram o personagem Santo, vivido por Domingos, após ele se afogar no rio. Ontem, eles disseram estar de luto pela morte do ator e fizeram um ritual pela alma dele. No programa ‘Encontro’, Fátima Bernardes leu mensagem enviada pelos índios. Durante o ritual, o senhor lhes disse: “Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo, ele se tornou um novo protetor do rio São Francisco, que estava tão esquecido, porque esse rio não pode morrer.” A novela contou todos os mistérios do rio, e esse é apenas mais um deles.

Afogamento tem mais risco de morte que trânsito

De acordo com a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), a média de afogamentos com morte no Brasil é de 17 por dia, principalmente em água doce, como rios, represas e lagos. Por ano, cerca de 500 mil pessoas morrem afogadas em todo o mundo, 6 mil mortes no Brasil. “Se comparado o risco de óbito em pessoas perto ou dentro da água com outras no transito, o afogamento chega a ser 200 vezes maior”, alerta David Szpilman, diretor-médico da Sobrasa.

Szpilman alerta para alguns cuidados básicos que as pessoas devem ter antes de entrar nas águas de rios e represas:

- Sempre use um colete salva-vidas. ‘Mico’ é não voltar para casa. Ao praticar esportes de aventura, além do colete, não deixe de usar capacete.

- Evite ingerir bebidas alcoólicas antes de entrar no rio. Em água rasa ou desconhecida, entre com os pés primeiro.

- Atenção com buracos e fundos de lodo. Você pode afundar rapidamente. Mantenha sempre a água na altura do umbigo.

- Cuidado com o limo e o barro liso: você pode escorregar e cair na água.

- Não superestime sua natação: 46,6% dos afogados acham que sabem nadar. Nade em local com guarda-vidas e cheque o local mais seguro.

- Se você cair no rio, não lute contra a correnteza. Guarde suas forças, flutue e acene por socorro imediatamente.



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