Daniel diz 'que já beijou mais de mil bocas'

Cantor, que está lançando novo CD, também falou que sente a presença de João Paulo em sua vida

Por O Dia

Rio - A morte de João Paulo, parceiro de Daniel, completa 20 anos em 2017. O cantor, que lança novo disco, o remoçado ‘Daniel’ — produzido pelo produtor-assinatura do sertanejo jovem, Dudu Borges — adoraria fazer uma homenagem ao amigo, que saiu de cena após um acidente de automóvel na Rodovia dos Bandeirantes, em 12 de setembro de 1997.

Daniel%3A 'Sempre sonho que eu e João Paulo estamos voltando a cantar juntos. Chico Xavier me disse que ele está num bom lugar'Divulgação/ Fabio Nunes

“Sempre que eu puder trazer à tona a imagem dele, vou fazer. Mas há questões burocráticas com a família dele que impedem isso”, conta o cantor, que chegou a ser processado pela viúva do ex-parceiro, por direitos autorais. “A carreira de João Paulo e Daniel ainda é acesa no rádio. Não tenho como não falar dele de qualquer jeito, faz parte da minha carreira”. Daniel diz hoje sentir mais a presença dele a seu lado que há alguns anos. “Sempre sonho que a gente está voltando a cantar juntos. Uma vez, almocei com o (médium) Chico Xavier e ouvi dele que o João Paulo estava num bom lugar. Recebo mensagens que dizem ser dele, mas não reconheço algumas coisas no texto”.

O sentimental e confessional Daniel já cantou que “adora amar você”, já regravou ‘Os Amantes’, de Luiz Ayrão (que diz: “Meu amor/ah, se eu pudesse te abraçar agora”) e confessou estar apaixonado em seu maior sucesso com João Paulo. ‘Daniel’, o novo disco, acrescenta mais histórias e músicas bastante pessoais a esse repertório.

'Discurso Ensaiado’, escrita por ninguém menos que Luan Santana, (que faz também a segunda voz na música e compôs em parceria com Breno Cesar, Caio Cesar e Max Wick) fala das agruras de um rapaz que precisa conquistar a confiança do pai da namorada. Uma situação que Daniel viveu na adolescência em Brotas (SP), onde nasceu e vive até hoje com a família.

“Fui pedir a mão da minha primeira namorada para o pai dela aos 16 anos. E ainda fui falar com ele quando acabou o namoro. Me identifiquei com a música”, brinca o cantor, aliviado por não ter passado pelo mesmo aperto ao conhecer sua mulher, Aline, que era sua bailarina antes do namoro. “Ela trabalhava comigo. A aproximação se deu de maneira informal”.

Já ‘Amores Seletivos’ (Dudu Borges, Magno Santanna e Tierry Coringa) traz um personagem fazendo um inventário de sua vida amorosa, e Daniel canta “beijei mais de mil bocas só por vaidade”. O cantor diz que é quase tudo verdade. “Eu já beijei mais de mil bocas, sim, mas não foi por vaidade, não”, brinca. “Vivi esse momento,mas hoje tudo mudou. Outro dia, fui com meus amigos para a fazenda e a gente até brincou que, em outros tempos, ficaria todo mundo acordado até tarde. Hoje, dá 23h e está todo mundo querendo ir para o quarto ficar com a filharada. Mas o importante é ter histórias para contar”, conta Daniel.

Com Dudu na produção, Daniel decidiu experimentar coisas novas. O repertório do disco foi registrado ao vivo no estúdio, e gravado em vídeo — em breve sai um DVD documentando a produção do álbum. “O Dudu queria que tudo soasse próximo do público, captar a transpiração”, conta, acreditando que conseguiu renovar seu público nos últimos anos. “Tenho muito contato com os cantores mais novos. Jorge e Mateus até regravaram coisas do João Paulo e Daniel”.

Religioso, Daniel prepara-se para um outro momento bastante emocionante em sua carreira: no dia 15 de outubro, faz uma participação no show que o tenor italiano Andrea Bocelli realiza no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida (SP), comemorando os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora. Enquanto percorre o Brasil com um show recheado de sucessos (incluindo releituras de nomes como Guilherme Arantes e Lulu Santos), o cantor diz que consegue tempo até para ir às reuniões de pais da escola das filhas Lara, 6 anos, e Luiza, de 4. No colégio das meninas, reencontra até ex-colegas de escola.

Imagens captadas durante a gravação do CDDivulgação

“Vejo muita gente com quem perdi contato e que hoje tem filho na mesma escola. A vida dá muitas voltas, né?”, conta o cantor. E rolam reencontros com ex-colegas de escola que faziam bullying ou desacreditavam que você fosse conseguir sucesso com a música, Daniel? “Nunca nem passei por isso. Os meus amigos já estavam acostumados a me ver com violão o tempo todo, acho que nunca ninguém disse que não acreditava em mim. Quer dizer, podiam até não acreditar, mas nunca me falaram”, brinca. “Também nunca sofri bullying”.

Para 2017, Daniel pensa em se envolver em mais dois projetos: uma campanha ensinando a história de Brotas para seus moradores e um DVD de clássicos sertanejos, no modelo da série ‘Meu Reino Encantado’, que lançou entre 2000 e 2006. “Vou chamar convidados para cantar comigo”. 

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