Por tabata.uchoa

Rio - As velhas fitas cassete são muito valorizadas hoje no mercado de usados — e tem muita banda nova aí lançando fitas em vez de CDs. Quem guarda inúmeras fitinhas dessas em casa, com gravações raríssimas suas dos anos 1970, é Jards Macalé. Foi nelas que o pesquisador e produtor Marcelo Fróes vasculhou material para os CDs ‘Raro & Inédito’ volumes 1 e 2, que complementam a caixa ‘Jards Macalé — Anos 70’, lançada pelo seu selo Discobertas.

Jards Macalé guarda em casa várias fitas cassete dos anos 70%2C de onde resgatou músicas inéditas para seu CDDivulgação

“São várias fitas. Em muitas, eu apareço tocando e cantando com criança chorando no fundo, barulho de máquina de escrever, passarinhos”, recorda Jards, que resgatou músicas inéditas como ‘Raparigas’ (parceria com José Carlos Capinam). Em algumas dessas gravações, dá para ouvir o músico ligando o gravador. “O Fróes me convenceu de que algumas músicas ali seriam interessantes. Muitas foram ficando guardadas e eu fiquei com preguiça de rever”, conta Jards, cujo acervo ainda vai gerar um volume 2 do box, com cassetes de shows dos anos 70, para 2017.

A caixa traz em CD — após anos de indisponibilidade — os dois primeiros LPs do cantor, ‘Jards Macalé’ (1972) e ‘Aprender a Nadar’ (1974). O primeiro surgiu de uma combinação entre o cantor e o empresário Guilherme Araújo, que o tinha convocado para tocar com Caetano Veloso no exílio em Londres. “Disse que ia, mas que depois ele iria produzir meu disco”, conta.

O segundo focava nas parcerias com o poeta baiano Waly Salomão e ainda teve um lançamento nada convencional: Jards convenceu a gravadora Philips a alugar uma barca Rio-Niterói especial para festas — e ainda alugou uma barca menor para ficar ao lado dela. No meio do evento, quando passavam embaixo do vão central da Ponte, se jogou da embarcação e foi resgatado pela barquinha.

“O comandante ficou meio irritado. Gritaram: ‘homem ao mar!’”, brinca. “Eu voltei para a barca e cumprimentei todos os convidados. Convidei muita gente, a barca ficou cheia. Eu estava todo sujo do óleo da Baía de Guanabara, daí sujei todos os convidados, coitados”.

A ideia veio da regravação do ‘Mambo da Cantareira’, de Gordurinha, que falava sobre um sujeito que “trabalhava em Madureira e morava em Niterói”. Da música, surgiu também o título do disco. “O Waly Salomão tinha sido preso em São Paulo e, quando foi solto, foi morar em Niterói. Ele ia me visitar em Botafogo e eu o ouvia cantando ‘vou aprender a nadar/eu não quero me afogar’ lá da esquina. E eram tempos difíceis. Estávamos todos aprendendo a nadar”, brinca.

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