O rock clássico resiste na Internet

Rádiovitrola.net mistura Sting, Deep Purple, Elvis e até jazz

Por O Dia

Rio - A luta diária de Carlos Mayrink, criador da webrádio Rádiovitrola.net — que comanda de casa, com colaboradores espalhados em outros lugares —, é por muita informação e conteúdo musical na web. São coisas das quais ele, que trabalha com rádio desde os anos 1980, vem sentindo muita falta em emissoras convencionais.

“Tem muitos artistas clássicos do rock lançando discos novos, mas que não têm rádio para tocar, pelo menos aqui no Rio”, conta Mayrink, que dá lugar a eles e foca sua webrádio em rock para o público adulto. “O Sting lançou disco recentemente, o Van Morrison também. O Deep Purple permanece gravando. Quer ver um cara que eu toco na webrádio e as pessoas adoram? Elvis Presley. E por que não tocar uma música de vinte minutos de uma banda de rock progressivo, inteira? Ou fazer um programa sobre um estilo musical, com histórias, contextualização?”.

Criador da Rádiovitrola.net%2C Carlos Mayrink no estúdio (E) e num evento de food trucks do qual a webrádio participouDivulgação

Publicitário e locutor com passagens por emissoras como Estácio, Globo, Panorama e Roquette-Pinto, Mayrink sempre foi apaixonado por rádio. “A culpada foi a rádio Cidade dos anos 1970 e 1980! Para mim e para toda a minha geração”, recorda, enxergando no digital um caminho para fugir das regras comuns ao dial. “No rádio convencional, há uma busca por audiência no Ibope. Tem muita rádio adulta que adota uma programação mais popular para ganhar mais audiência. Só que o risco que você corre é o de não falar para ninguém”.

Além da programação de rock clássico, na grade da Rádiovitrola.net há programas de blues, jazz, soul e até de história da propaganda, com comerciais antigos. Mayrink faz a programação inteira na mão, com mais de 200 playlists que incluem gêneros como fusion e música brasileira instrumental. “É um trabalho de pesquisa constante. Tem muita coisa legal sendo feita e muita coisa antiga que nunca tocou em rádio”, conta Mayrink.

Num meio do qual se exige uma segmentação absurda,Mayrink trabalha numa zona cinzenta. “A Rádiovitrola.net não é uma rádio ‘alternativa’. Mas também não é popular”, conta ele, que levou a rádio para a rua, em eventos de food trucks na Tijuca e em Botafogo. E se surpreendeu com o resultado. “Teve gente que estava saindo do trabalho e foi me perguntar: ‘Pô, mas você tá tocando Emerson, Lake & Palmer na rua?’ Ninguém acreditava!”