Simone & Simaria lançam novo CD e DVD

Com raízes forrozeira, as cantoras deram ao mercado musical uma nova identidade, afirmando ainda mais a voz feminina do sertanejo

Por O Dia

Rio - Com carisma e irreverência, a dupla Simone & Simaria apresentou na última quinta-feira, em São Paulo, o mais novo trabalho da carreira: o CD e DVD ‘Simone & Simaria Live’. Com raízes forrozeira, as cantoras deram ao mercado musical uma nova identidade, afirmando ainda mais a voz feminina do sertanejo, gênero que no passado era dominado, para variar, pelos homens. 

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Durante a conversa, as irmãs falaram de como foi a produção do novo DVD, a dificuldade em realizá-lo e contaram o que pode ser a fórmula para todo esse sucesso conquistado em tão pouco tempo.

Antes mesmo de lançar o ‘Simone & Simaria Live’, o álbum já conquistou uma legião de fãs. Em menos de um mês da gravação, quatro hits estão estourados em todo o Brasil. O single ‘126’, por exemplo, beira 20 milhões de visualizações no Youtube.

“Foram algumas semanas sem dormir pensando no que fazer. Mas como somos muito iluminadas, Deus sempre falou com a gente, entendemos que dava pra fazer algo grande. Mas sempre digo que o mais importante não é a grandiosidade da coisa, mas sim as músicas. Mas se você pode agregar as duas coisas, grandiosidade com repertório, aí você pode dar graças a Deus”, conta Simaria.

Foram 15 músicas inéditas e duas regravações, que, combinadas com uma superprodução, levou o público ao delírio. “Duas horas antes da gravação, eu ainda estava acertando cada detalhe de som para ver se estava tudo certo. Já entrei no palco ansiosa”, lembra Simaria.

No DVD, as cantoras conseguiram um feito “quase” inédito: colocaram o também sertanejo Marrone para dançar. O cantor, que faz dupla com Bruno, esteve no palco com Simone e Simaria e, juntos, cantaram ‘Te Amo Chega Dar Raiva’. “Marrone chega a girar no palco! Foi linda a participação deles”, brinca Simaria.

Outra dupla convidada foi Jorge & Mateus, que cantou ‘Amor Mal Resolvido’. “Já tínhamos uma ligação com eles desde os shows que fazíamos no Nordeste. Desde então, criamos um carinho e uma amizade grande com os dois”, diz a irmã de Simone, que lembra ter pedido para os cantores escolherem entre três músicas para cantar no show e ouviu como resposta: “O DVD é de vocês, então vocês que escolhem”.

As coleguinhas, como são chamadas pelos fãs, fazem sucesso por terem vozes potentes, mas, além disso, um diferencial marca o sucesso da dupla: elas cantam da mesma forma. Nenhuma das duas leva o título de segunda voz. “Esse é o nosso estilo, somos assim e não pretendemos mudar. Quando a segunda voz entra, geralmente é um tom mais para baixo e nós cantamos para cima”, explica Simaria, que é complementada pela irmã. “Nunca fizemos aulas de canto, nós fazemos isso desde criança e é uma receita que tem dado certo, não pensamos em mudar”, diz Simone.

COMEÇO DIFÍCIL

Recém-chegadas de uma turnê internacional pelos EUA e pela Europa, Simone e Simaria não reclamam de trabalhar duro. São diversos shows pelo Brasil, mas nem sempre a agenda esteve cheia assim. No começo da carreira, as dificuldades foram muitas. Depois de chegar à capital paulista para morar com a mãe, Simaria conseguiu, em alguns meses, entrar para a banda de Frank Aguiar. Ela era a backing vocal do cãozinho dos teclados, como Frank é conhecido. “Como eu era mais nova, na época estava com 12 anos, só entrei 2 anos depois da minha irmã. E, mesmo com 14 anos, a Simaria precisava de uma autorização do juiz para trabalhar. Minha mãe teve de pedir”, lembra Simone. 

Simaria passou sete anos como integrante da banda de Frank e Simone, cinco anos. Após esse tempo, as duas decidiram sair para tentar a carreira como dupla. “Saímos sem empresário, éramos só nós duas, quase passamos necessidade. Cansadas de tanto sofrer na vida, fomos para Fortaleza para tentar cantar em uma banda”, conta a sertaneja, que lembra ter agradado ao público da Forró do Moído. “Depois de um mês que estávamos lá, os donos da banda nos levaram para fazer um teste. Era para ficarmos cinco minutos no palco e, se o público gostasse, continuaríamos”, lembra Simone. “A plateia ficou louca conosco. O povo juntou e não queria que saíssemos do palco. Foi assim por sete anos”.

Com o sucesso das duas, os fãs começaram a cobrar que elas cantassem sozinhas. “Eles pediam para a gente sair da banda, faziam campanha no Twitter. E um dia, a Simaria me disse: ‘Você junte seu dinheiro que nós vamos sair’”, lembra Simone.

A duas quebraram as barreiras do mercado musical e hoje são referência quando o assunto é “feminejo”. “Precisamos amadurecer muito, sofrer muito, e isso serviu para que tenhamos os pés no chão e saber exatamente que caminho seguir”, diz Simaria.

Sobre o futuro, eles preferem não pensar já. “Esse trabalho saiu agora, ainda não consigo pensar muito bem o que podemos fazer”, diz Simone. “Eu costumo pensar muito, mas nos últimos tempos estou tão cansada que não estou conseguindo nem fazer isso. Brinco que preciso de um dia inteiro dormindo para acordar e ter ideias. Aí vão vir as novidades”, diz Simaria.

Priscila Freitas, do Diário de S.Paulo/Agência O DIA

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